Medina diz que Câmara “não esteve bem” em plano de abate de árvores

Entrecampos, obra para descongestionar o trânsito

Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa e da presidente da Área Metropolitana de Lisboa

O presidente da Câmara de Lisboa admitiu hoje que a autarquia “não esteve bem” ao ter ponderado o abate de 15 árvores, em vez das duas agora previstas, em Entrecampos, no âmbito de uma obra para descongestionar o trânsito.

“Acho que não estivemos bem. [Essa solução] não se enquadra na nossa orientação política”, sustentou Fernando Medina (PS), que falava na reunião pública do executivo.

O responsável acrescentou que a autarquia tem “feito um esforço grande relativamente às áreas verdes” e tem também tentando “minimizar” este tipo de medidas.

“Não o fizemos neste caso”, lamentou. Na segunda-feira, mais de 50 pessoas juntaram-se na zona de Entrecampos, durante duas horas, numa concentração que visava travar o abate de árvores na zona.

Depois da concentração, um grupo de moradores foi recebido pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado. Nesse dia, o autarca disse à Lusa que estavam em causa 28 árvores e que, com a revisão do projeto, “ficaram três árvores para abater e cinco para serem transplantadas”.

Intervindo na reunião de hoje, o autarca esclareceu que eram 26 as árvores em causa, das quais, inicialmente, “15 seriam para abater — nove resultavam do traçado do projeto e seis de razões fitossanitárias — e outras sete seriam transplantadas”.

Manuel Salgado referiu também que, inicialmente, se previa ser necessário intervir nas 26 árvores, mas que se chegou à conclusão de que “as árvores [com problemas] fitossanitários já não vão ser abatidas” e que bastava transplantar cinco em vez de sete.

Falando à Lusa no final do encontro, Manuel Salgado voltou a clarificar os números, referindo que agora se prevê o abate de duas árvores, que “impedem a abertura da rua”.

Quanto às árvores a transplantar, mantém-se o número — cinco –, adiantou o vereador, assegurando que estas unidades “ficam transplantadas lá, [mas] mais ao lado”.

Para Fernando Medina, esta reformulação do projeto “mostra que era possível uma solução de natureza diferente”. “Só posso lamentar a solução original”, assinalou, referindo que “também não há boa cidade sem uma cidadania ativa”.

Em conclusão, referiu que “a cidade deve ter mais árvores, mais espaços verdes e deve ser mais credível nas intervenções no arvoredo”.

No final de setembro, a Câmara de Lisboa divulgou estar a reordenar a circulação automóvel na Praça de Entrecampos, onde vai criar mais duas vias e um corredor reservado a transportes públicos para evitar congestionamentos de trânsito.

Segundo Manuel Salgado, o objetivo da obra, que deverá terminar em dezembro, é “evitar que o tráfego de atravessamento passe em frente à Biblioteca Nacional e aos edifícios residenciais”.

Na reunião de hoje, o autarca explicou também que só foi possível reduzir o número de árvores a abater devido à perda de 60 lugares de estacionamento. “Recentemente, quando o projeto começou a ser posto em prática, os moradores da zona envolvente, principalmente do prédio junto ao edifício da Câmara, vieram a levantar questões de que havia árvores a ser abatidas e a pôr em causa o projeto”, referiu.

Por isso, e depois de reuniões dos moradores com os serviços camarários, houve uma “reformulação do projeto, mantendo a via que vai descongestionar o trânsito, mas reorganizando o parque de estacionamento”, o que implica manter “as árvores que lá estão” e perder “60 lugares de estacionamento”, adiantou o autarca.

Lusa