Valter Januário

Depois de doze anos na presidência da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, Valter Januário despede-se do cargo com um olhar de balanço e reflexão sobre o que considera ter sido “uma experiência que molda de forma irreversível”.

Após as eleições autárquicas de 12 de outubro, nas quais o Partido Socialista perdeu a freguesia mais populosa do país e a Câmara Municipal de Sintra, o autarca sublinha em artigo de OPINIÃO publicado no Sintra Notícias, intitulado, servir, perder e recomeçar, que “os factos existem para serem compreendidos, não para serem negados”.

Valter Januário descreve o exercício do cargo como uma vivência de “portas abertas”, em contacto direto com a população. “Ser presidente de junta é ouvir as alegrias e as angústias de quem bate à porta com esperança”, afirma. Durante o seu mandato, diz ter aprendido a “medir o tempo pelas ruas, pelos rostos e pelas urgências que não esperam”.

“Ser presidente de junta é ouvir as alegrias e as angústias de quem bate à porta com esperança”

Entre as memórias que leva, destaca a transformação do território e das pessoas. “Vi crianças tornarem-se adultos, vi ruas transformadas, projetos erguerem-se e sonhos concretizarem-se.” Ainda assim, reconhece que o trabalho público “nunca está terminado” e que essa consciência é uma das marcas mais fortes que leva da experiência autárquica.

As eleições mais recentes trouxeram, nas palavras do socialista, “uma nova realidade”. Para Valter Januário, a derrota do PS em Sintra e em Algueirão-Mem Martins deve ser encarada como um momento de reflexão e de renovação. “Perder faz parte da democracia”, afirma, acrescentando que “depois de doze anos de serviço, é natural que o tempo peça novas vozes e novas energias”.

“Vi crianças tornarem-se adultos, vi ruas transformadas, projetos erguerem-se e sonhos concretizarem-se”

O ainda presidente da Junta de Freguesia de Algueirão Mem Martins, defende que este é o momento para o PS “olhar para dentro” e repensar a sua relação com o território e com as pessoas. “Não se trata de negar o passado, mas de aprender com ele”, refere, apelando a uma “nova escuta” e a uma “nova abertura”.

No seu artigo, Valter Januário elogia ainda o trabalho da candidata socialista à Câmara de Sintra, Ana Mendes Godinho, destacando a sua “energia, entrega e autenticidade”. Na sua perspetiva, a candidata “dignificou o Partido Socialista e a política”, representando “a vontade de construir, de unir e de servir”.

 (…) “só há verdadeira vitória quando se continua a acreditar, mesmo depois de perder”

Com o fim do mandato, o autarca sai com a convicção de que “servir é um exercício de humildade” e conclui que “quem serviu nunca deixa verdadeiramente de o fazer. O compromisso com a terra e com as pessoas não se apaga com o fim de um mandato. Continua na forma como olhamos o futuro e na crença de que só há verdadeira vitória quando se continua a acreditar, mesmo depois de perder.”

Ler na íntegra o artigo de Opinião de Valter Januário