Câmara de Sintra vai recolher e substituir ‘kits’ da Proteção Civil

O município de Sintra tem 12 aldeias abrangidas pelos programas "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras".

Proteção Cilvil de Sintra

A Câmara Municipal de Sintra, que tem 12 aldeias nos programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras”, anunciou esta sexta-feira que vai “recolher de imediato todos os componentes inflamáveis” do kit entregue pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

A autarquia a agência Lusa, informou que “desconhecia” as informações hoje vindas a público sobre a composição dos materiais que compõem o ‘kit’ destes programas, e que o presidente da Câmara Municipal, Basílio Horta, decidiu recolher estes materiais, nomeadamente coletes e golas.

Os materiais recolhidos serão substituídos por “equipamento que garanta a segurança dos voluntários”, sublinha a autarquia.

Recorde-se, para o município de Sintra, a ANEPC disponibilizou ‘kits’ aos 24 oficiais de segurança dos programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras” – dois por cada uma das 12 aldeias – e, no âmbito de sessões de esclarecimento, distribuiu “cerca de 30 golas [antifumo]” à população, segundo fonte da autarquia.

A Câmara contabilizou a necessidade de substituir 24 coletes e cerca de 54 golas, processo que vai ser assegurado “durante a próxima semana”.

As programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras“, que visam a defesa da floresta e pessoas, foram implementados em 12 aldeias da freguesia de Colares, no concelho de Sintra, designadamente Azóia, Atalaia, Ulgueira, Almoçageme, Casas Novas, Penedo, Banzão, Mucifal, Colares, Vinagre, Eugaria, Gigaroz e desde 6 de junho, a aldeia de Pé da Serra, conforme noticiou o SINTRA NOTÍCIAS.

Ainda a Lusa, a Proteção Civil esclareceu hoje que os materiais distribuídos no âmbito dos programas “Aldeias Seguras” e “Pessoas Seguras” não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas práticas.

Em Mafra, esta manhã, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse que é “irresponsável e alarmista” a notícia sobre as golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa “Aldeias Seguras”, sublinhando a importância do trabalho que está em curso em mais de 1.600 aldeias do país e assegurando que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas.

O “Jornal de Notícias” escreve hoje que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela proteção civil no âmbito do programa “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”. Segundo o jornal, as golas antifumo, fabricadas em poliéster, “não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro”.

Em comunicado, a ANEPC lembra que os programas “decorrem da Resolução do Conselho de Ministros n.º 157-A/2017, de ‪27 de outubro, e visam capacitar as populações no sentido de reforçar a segurança de pessoas e bens mediante a adoção de medidas de autoproteção e a realização de simulacros aos planos de evacuação das localidades”.

Trata-se, segundo a ANEPC, da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas práticas a adotar neste âmbito.

No âmbito dos programas foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização, designadamente o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits de emergência”.

“Importa reforçar que estes materiais não assumem características de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural”, acrescenta a ANEPC.

A Liga dos Bombeiros Portugueses, através do seu presidente, Jaime Marta Soares, já exigiu que se apurem responsabilidades. “A Autoridade Nacional de Proteção Civil devia ter imediatamente apresentado desculpas públicas” sobre a distribuição de golas antifumo com material inflamável, ao abrigo do programa Aldeia Segura, bem como “proceder à sua substituição”, disse.

Ao Diário de Notícias, Jaime Marte Soares, vai mais longe: “a autoridade foi negligente. É grave e inaceitável. Dizer que é só para sensibilizar é pior a emenda que o soneto, não deviam ter ido por aí. Não deviam ter dito isso”, disse o responsável, lembrando que podia ter sido negligência grave caso alguém tivesse usado a gola, que é inflamável e em vez de de se salvar podia matar. “É grave e inaceitável”.

(actualizada 13h49)