Uso de máscara

Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra (SMAS de Sintra) ofereceram nesta quadra natalícia, a colaboradores municipais, a várias entidades do concelho e a munícipes que acederam ao atendimento presencial, um conjunto de enfeites produzidos a partir de máscaras cirúrgicas recicladas.

Esta iniciativa marca o arranque do Projeto de Reciclagem e Valorização de Máscaras e Têxteis, que vai ser implementado no concelho, envolvendo numa primeira fase a União das Freguesias de Agualva-Mira Sintra, Freguesias de Algueirão-Mem Martins e de Rio de Mouro e União das Freguesias de Sintra.

Desenvolvido em parceria pelos SMAS de Sintra, Câmara Municipal de Sintra (CMS) e a TO-BE-GREEN (Universidade do Minho), a recolha de máscaras e têxteis vai ser concretizada nas várias instalações dos SMAS de Sintra e da CMS, bem como das entidades que integram a área do projeto piloto, nomeadamente as juntas de freguesia, estabelecimentos de ensino (2.º e 3.º Ciclo e Secundário) e algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), através da disponibilização de contentorização específica.

“O projeto visa responder, por um lado, ao problema do descarte/poluição de máscaras, resultante da pandemia de COVID-19, fomentando o seu encaminhamento para valorização e transformação em novos produtos. Nesta quadra, o material reciclado, após trituração e compressão, deu lugar a enfeites de Natal”, explicam os SMAS de Sintra em nota enviada ao SINTRA NOTÍCIAS.

Proteja-se

Para além da recolha de máscaras (cirúrgicas e comunitárias), o projeto compreende, ainda, a reciclagem e valorização dos resíduos têxteis, procurando responder a um problema que se coloca à escala planetária.

Recorde-se, só em Portugal, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, 200 mil toneladas de têxteis são, anualmente, deitados para o lixo. A indústria têxtil é uma das mais poluentes em toda a cadeia, desde a produção de algodão (a fibra natural mais consumida), passando pelo processamento industrial (com elevado consumo de água e de emissões de CO2), até ao momento da aquisição do vestuário. Para produzir uma t-shirt, por exemplo, são necessários 2.700 litros de água. Para umas calças de ganga, pode chegar ao consumo de 10 mil litros de água.

“Este projeto piloto servirá, ainda, para a definição da atuação municipal a desenvolver no âmbito da implementação/execução da Estratégia de Intervenção na Gestão e Recolha Seletiva de Têxteis, tendo em conta a obrigatoriedade de recolha seletiva de têxteis até 2025, no sentido da redução da deposição em aterro ou encaminhamento para incineração e aumento dos níveis de reciclagem, sensibilizando, também, para o consumo consciente de vestuário e a aposta na Economia Circular”, pode ler-se.

Para além de contribuir para a sustentabilidade económica, social e ambiental, ao impulsionar a reciclagem e a reutilização por forma a garantir que os produtos têxteis se adequem à circularidade, o projeto disponibilizará, após um processo de triagem (com avaliação do estado dos têxteis recolhidos), o vestuário em bom estado a toda a população do concelho, através de uma “loja online”, suportada pela aplicação móvel TO-BE-GREEN.

O Projeto de Reciclagem e Valorização de Máscaras e Têxteis arranca no primeiro trimestre de 2022.