“O PSD não pode continuar preso a projetos esgotados”

    A saída de dois vereadores da Câmara de Sintra indicados pelo CDS-PP da coligação liderada pelo Partido Social Democrata, apresentando divergências com o Vereador Marco Almeida, motivou o protesto e crítica da Concelhia do PSD de Sintra.

    A recente saída dos vereadores Paula Simões (CDS-PP) e do vereador Carlos Parreiras (Independente) da coligação com os social-democratas da Câmara de Sintra, “devido a divergências” com o vereador Marco Almeida, motivou o protesto e discordância da Concelhia do PSD de Sintra que em comunicado, destaca o “excelente serviço” prestado pelo dois autarcas, criticando a “tomada de posição à revelia dos órgãos do partido”, por parte de Marco Almeida, “contrariando os estatutos e regulamentos e afrontando a história e as tradições democráticas do PSD, com a qual nenhum verdadeiro militante pode pactuar”.

    Recorde-se, em comunicado, o vereador do PSD Marco Almeida revela que a decisão foi dos dois vereadores e que “o momento escolhido não é ingénuo”, pois “permite desviar as atenções sobre o escrutínio popular da gestão liderada por Basílio Horta”. Contactado pela agência Lusa, Marco Almeida considerou a desvinculação dos dois vereadores “natural”, uma vez que foi uma decisão “consensual”.

    Para a concelhia do PSD de Sintra, “os dois vereadores eleitos pelo CDS-PP, independentes no momento da candidatura, já tinham sido ambos militantes e autarcas pelo PSD, com destaque para Carlos Parreiras, cuja militância antiga no partido e os vários mandatos como presidente da Junta de Freguesia de Pêro Pinheiro, não podemos deixar de destacar pelo excelente serviço que prestou pelo partido àquela comunidade”, começa por destacar em comunicado a concelhia “laranja”, assinado pela presidente Ana Isabel Valente, “a bem da transparência”.

    “Só mais tarde, em 2014, quando decidiram apoiar e integrar a candidatura independente de Marco Almeida para a Câmara Municipal, de quem eram muito próximos, é que se afastaram do PSD por consequência estatutária, tendo ambos sido indicados na lista para o mesmo órgão em 2017 como independentes pelo CDS-PP tendo em vista a renovação do seu mandato, já no âmbito da Coligação Juntos Pelos Sintrenses”, pode ler-se no comunicado, lamentando que “as propaladas divergências no seio da vereação municipal resultam da liderança, ou da falta dela, de Marco Almeida, em contradição com as excelentes relações entre os partidos que a compõem, mantendo as estruturas do PSD e do CDS-PP em Sintra contactos institucionais e de cooperação”.

    Aquela estrutura partidária, considera mesmo que “a tomada de posição dos vereadores em causa é o epílogo de um projeto pessoal falhado, sendo que, como foi sendo hábito, todas as posições assumidas e trazidas a público pelas partes em conflito, tanto quanto pudemos apurar, o foram à revelia dos partidos pelos quais foram indicados”, referindo-se ao PSD e ao CDS-PP.

    Descredibilizar o PSD

    “Infelizmente, para o PSD de Sintra, já não surpreendem as posições e as declarações de Marco Almeida ao longo dos últimos anos, independentemente da sigla pela qual é candidato, as quais visam sistematicamente tentar descredibilizar o Partido Social Democrata no concelho”, pode ler-se no documento, acrescentando que “por si só, e de uma leva, talvez para desviar a atenção da cisão do seu núcleo duro, proclamou-se candidato à Câmara Municipal de Sintra e anunciou o fim da coligação com o CDS-PP, desde já e nas próximas eleições, algo que só não surpreenderia num líder de um qualquer regime autocrático, pois como é evidente, aquele é inabilitado a proferir anúncios desta natureza”.

    “No PSD, a escolha dos candidatos a uma câmara parte, estatutariamente, de proposta da comissão política concelhia à comissão política distrital, a qual se pronunciará sobre a mesma, sendo por fim, os cabeças de lista aos municípios, homologados pela comissão política nacional. Ora, nada disto ainda aconteceu relativamente às autárquicas de 2021”, constata a concelhia, lembrando que “o PSD tem compromissos com a comunidade de Sintra”, nas mais diversas áreas e na “responsabilidade de equacionar as coligações, equipas e liderança a apresentar a sufrágio, sendo que esta escolha terá que ser uma verdadeira alternativa ao Partido Socialista, no segundo maior município do país”.

    “Projectos esgotados”

    Para a concelhia de Sintra, “o PSD não pode continuar preso a projetos esgotados, que não somam mas dividem, antes tem apresentar um projeto novo, inovador e competente às Freguesias e à Câmara Municipal de Sintra, com possibilidades de agregar e empolgar os militantes e eleitores do Partido Social Democrata e que possa, adicionalmente, conseguir alargar o seu espaço, designadamente com o CDS-PP, com quem importa reforçar os laços que permitiram conquistar esta autarquia”.

    “Uma coligação de partidos com prevalência pós eleitoral é muito mais do que um mero ato administrativo. A ausência de relações institucionais entre o atual primeiro eleito pela coligação Juntos Pelos Sintrenses na Câmara Municipal e as duas estruturas concelhias dos principais partidos que suportam a coligação, que se estendeu agora a dois dos principais colaboradores do movimento independente por si criado, são a demonstração cabal de que mais do que o ‘virar de página na oposição’, o que importa é rasgar a página da atual governação em Sintra”, refere o PSD no comunicado.

    “É neste novo caminho de esperança que o PSD Sintra está e estará empenhado, quer no que respeita às candidaturas municipais, quer no especial enfoque que dará às freguesias, não se deixando alhear, em nenhum momento, daquilo que mais do que uma obrigação é sua prerrogativa estatutária”, pode ler-se, terminando com uma referência ao presidente do partido, Rui Rio, numa recente carta aos militantes, “ver o nosso partido com sentido de Estado e da responsabilidade, é vê-lo a honrar o seu passado e a pôr Portugal à frente de tudo o mais”.

    Comunicado do PS provoca “estupefação”

    A presidente da Concelhia do PSD de Sintra deixa ainda criticas duras ao comunicado do PS de Sintra, emitido no sábado, 16 de maio, que apelou na sequência da saída de dois vereadores da coligação “Juntos pelos Sintrenses”, a uma “oposição séria e construtiva” na Câmara de Sintra.

    “Foi com enorme estupefação que assistimos à pronuncia do Partido Socialista sobre questões internas a uma coligação que se lhe opõe no executivo da Câmara Municipal de Sintra, com o objetivo de, cavalgando a onda de um desentendimento tornado público, se tentarem sobrevalorizar não pelo mérito do trabalho desenvolvido mas, ao contrário, aproveitando a descredibilização de alguns atores políticos da sua oposição”, refere o comunicado.

    Para a concelhia social-democrata, “o Partido Socialista apressou um comunicado tão despropositado como inoportuno, descurando regras de convivência democrática, aproveitando de forma inqualificável os anúncios infelizes sobre a eventualidade dos partidos que formaram a coligação a poderem renovar ou não nas próximas autárquicas”, pode ler-se, acrescentando que “o Partido Socialista perde, mais uma vez, por não resistir a comentar a vida interna dos partidos com mandatos autárquicos, fazendo a projeção das dinâmicas destes e regateando, pasme-se, a escolha do cabeça-de-lista concorrente”.

    “O Partido Socialista não desconhecerá que o PSD é um partido composto por vários órgãos democraticamente eleitos, cujo seu funcionamento assenta em estatutos e regulamentos próprios, no qual a autoproclamação de uma candidatura a uma câmara municipal não é possível, nem tão pouco o anúncio da decisão sobre coligações eleitorais, a qual cabe, em exclusivo, aos órgãos do partido com competências nesta matéria”, refere em comunicado, tornado publico esta segunda-feira.

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