Antigo presidente da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, Valter Januário fez da proximidade à população uma ideia central do seu compromisso autárquico. Presidiu à Junta entre 2013 e 2025, durante três mandatos consecutivos, eleito pelo Partido Socialista.

Faleceu hoje, com 49 anos, Valter Januário, antigo presidente da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, no concelho de Sintra. [em atualização]

O seu percurso público ficou ligado a uma comunidade que serviu durante doze anos e à convicção de que o trabalho autárquico começa na capacidade de ouvir e de compreender os problemas de quem procura ajuda.

“Ser presidente de junta é ouvir as alegrias e as angústias de quem bate à porta com esperança”, escreveu ao terminar o seu último mandato. A frase traduz a forma como entendia o cargo: um exercício de proximidade, feito do contacto com as pessoas, das suas dificuldades e das respostas que não podem esperar. No balanço que deixou, o tempo à frente da Junta era também o das crianças que vira crescer, das mudanças nas ruas e dos projetos que acompanhara.

Nas suas intervenções, o desenvolvimento da freguesia surgia associado à melhoria da vida quotidiana. A valorização dos espaços públicos, os equipamentos e as condições de atendimento à população eram apresentados como parte desse propósito. Foi nesse sentido que defendeu o projeto da nova sede da Junta, na Quinta de Fanares, ligando-o à criação de espaços de encontro e de fruição para a comunidade.

Os textos que publicou no Sintra Notícias revelam também a importância que atribuía à solidariedade e à responsabilidade de cada um perante os outros. Nos momentos de incerteza da pandemia, procurou transmitir esperança, sem perder de vista a necessidade de proteger a vida. Perante a violência, apelou à atenção ao próximo e à construção de uma comunidade mais unida. E nas mensagens dirigidas à população insistiu na compaixão e na solidariedade como valores que deveriam orientar o quotidiano, para além das ocasiões festivas.

No final do seu percurso autárquico, reconheceu que o trabalho público fica sempre por concluir. Encarou a mudança política como parte da democracia e defendeu a capacidade de refletir, aprender e renovar a relação com as pessoas. Em janeiro de 2026, a secção local do PS homenageou-o pelo empenho, dedicação e profissionalismo demonstrados ao longo dos três mandatos.

Do testemunho que deixou emerge uma ideia de serviço público assente na escuta e na presença. Para Valter Januário, o fim de um mandato não significava o fim do compromisso com a terra e com quem nela vive. Era nessa ligação que reconhecia o sentido dos doze anos dedicados a Algueirão-Mem Martins.