Comboios da Linha de Cascais

Pedro Nuno Santos descreveu a linha de Cascais como uma ilha “no contexto da rede ferroviária nacional. Está isolada e tem material circulante que chega a atingir os 70 anos”.

O ministro das Infraestruturas afirmou esta terça-feira, ser “incompreensível e injustificável” que a Linha de Cascais seja “do século passado” e que tenha comboios com 70 anos, destacando as empreitadas em curso para modernizar a infraestrutura.

Pedro Nuno Santos viajou de comboio entre a estação do Cais do Sodré (Lisboa) e a de Cascais para assinalar a consignação da empreitada de modernização da via e catenária da Linha de Cascais, num investimento de 32 milhões de euros.

A empreitada, com duração prevista de dois anos, está integrada na primeira fase do Plano de Modernização da Linha de Cascais, para o qual está previsto um investimento global de cerca de 100 milhões de euros.

Após a viagem, de cerca de 45 minutos, na qual participou também o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras (PSD) e elementos da Infraestrutura de Portugal (IP) e da CP, o governante fez uma pequena intervenção para destacar a importância da Linha de Cascais e das intervenções previstas.

“Nós temos uma linha do século passado. É incompreensível e injustificável que o país tenha deixado esta linha ir ficando para trás. Temos uma linha que é uma ilha no contexto da rede ferroviária nacional. Está isolada e tem material circulante que chega a atingir os 70 anos”, descreveu.

Ministro, Pedro Nuno Santos

O governante recorreu também a números divulgados pelo presidente da CP, Pedro Moreira, para sublinhar que os comboios da Linha de Cascais transportam diariamente o equivalente a 1.700 autocarros e 55 mil automóveis, destacando os benefícios económicos e ambientais da infraestrutura.

Relativamente à chegada de material circulante, o ministro das Infraestruturas deu conta da adjudicação de 116 comboios no final do 1.º trimestre de 2023 e a chegada das primeiras composições em 2026.

A empreitada consignada hoje prevê a migração do atual sistema de eletrificação da Linha de Cascais, atualmente a 1500 V (volts), para 25 kV (quilovolts), “o qual permitirá harmonizar as condições de exploração desta linha com o resto da Rede Ferroviária Nacional e reduzir anualmente em mais de um milhão de euros os custos de energia suportados pela CP com a operação do serviço”.

Está, igualmente, prevista a implementação de sete novas diagonais de contravia, alterações de ‘layout’ nas estações de Oeiras e Cascais e a criação de uma nova ligação ao Parque de Material de Carcavelos.

Em curso está a construção de uma Subestação de Tração Elétrica (SST) em Sete Rios para a alimentação da Linha de Cascais e a instalação de um novo sistema de sinalização e de um sistema de controlo de velocidade.

Em fase de lançamento de concurso está a instalação de sistemas de informação ao público e de videovigilância, a beneficiação de estações e apeadeiros e a instalação de um cabo de alimentação entre a SST de Sete Rios e a Linha de Cascais.

O Plano de Modernização da Linha de Cascais pretende “aumentar a sustentabilidade, económica e ambiental, a qualidade e a eficiência do serviço ferroviário de modo a incentivar utilização do transporte publico para os milhares de pessoas que diariamente se deslocam para Lisboa”, de acordo com a IP.

Sintra Notícias com Lusa
Fotografia: JN / arquivo