Sobem internamentos sociais no Hospital Amadora-Sintra

Foto | Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, E.P.E, também conhecido por Amadora-Sintra | Foto: arquivo

Os internamentos sociais atingiram esta semana “um nível recorde” no Hospital Fernando Fonseca, também conhecido como Amadora-Sintra, com 40 doentes com alta hospitalar a aguardar resposta social de retaguarda.

Segundo o Hospital Fernando Fonseca, “o peso destes internamentos é tanto mais relevante quanto a taxa de ocupação de internamentos em enfermaria está acima dos 90%”.

No Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC), que integra os hospitais São José, Curry Cabral, Dona Estefânia, Santa Marta, Capuchos e Maternidade Alfredo da Costa, o número de casos sociais também é elevado.

“Temos sempre bastantes internamentos sociais, o número é elevado neste momento, mas está dentro do normal para o centro hospitalar, o que aumentou muito foi o número de doentes à espera para serem integrados em cuidados continuados”, disse à agência Lusa Paulo Espiga, vogal executivo do Conselho de Administração do CHULC.

No último ano e meio, adiantou Paulo Espiga, “havia uma capacidade grande de drenar estes doentes para a rede de cuidados continuados, mas nos últimos dois, três meses voltou a haver dificuldade em colocar os doentes na rede”.

Segundo o vogal, o centro hospitalar tem entre 70 a 80 doentes que estão a ocupar camas de agudos quando podiam estar a ocupar camas de outras tipologias.

Dados do Governo divulgados à Lusa em 8 de julho indicavam que, desde o início da pandemia em março de 2020, tinham sido admitidos na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados 27.690 doentes que se encontravam a aguardar vaga numa cama hospitalar.

No mesmo período, ao abrigo do programa implementado pelo Governo no contexto da pandemia, foram retiradas dos hospitais e colocadas em lares de idosos 2.657 pessoas.

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, alertou na quarta-feira para a urgência de reforçar a articulação com a Segurança Social, como aconteceu no início da pandemia, porque os internamentos sociais estão de novo a aumentar.

“Enquanto não se resolver alguns dos problemas que levam muitas pessoas às urgências, como a falta de condições de habitabilidade de algumas habitações ou a falta de rendimento das pessoas, dificilmente se evitam os casos sociais”, disse à Lusa.