Enfermeira do Amadora-Sintra agradece a quem preferiu “festas em vez de cautelas”

A enfermeira Diana Bulacu Mendes, do Hospital Amadora-Sintra, 'agradece' no facebook, as "mazelas físicas e psicológicas" aos que preferiram "festas em vez de cautela" e descreve o que está a acontecer nas unidades hospitalares que recebem doentes Covid-19.

Foto: Notícias da Saúde - arquivo

A enfermeira Diana Burlacu Mendes tem partilhado nas suas redes sociais a dura experiência que vive no Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, também conhecido por Amadora-Sintra, no combate à pandemia da Covid-19.

Na página de Facebook do seu blog ‘Pedaços da Minha Vida’, no mais recente post, e na sequência do recente aumento de novos casos, a profissional de Saúde dirige-se “a quem, mais uma vez, preferiu festas em vez de cautela”.

“Hoje venho agradecer a quem, mais uma vez, preferiu festas em vez de cautela. Venho agradecer a quem fez o favor de, mesmo assintomáticos, infetarem a tia, avó e o velhote que pegou na mesma caixa de cereais do supermercado. Eles estão todos comigo. Muitos deles já não têm força para vos agradecer. A maioria vai dar o último suspiro comigo. Por isso agradeço eu por eles”, desabafa Diana Burlacu Mendes, utilizando a ironia para criticar os “acéfalos que continuam a tratar a Covid como marketing do Governo”, afirma a enfermeira.

Fiz noite. Talvez o pior turno de que tenho memória. Não pensei que estivéssemos tão perto assim da rutura. Enquanto país desenvolvido, nunca imaginei que esgotássemos ventiladores em pouco mais de 20 dias de pandemia. Mas esgotámos.

Diana Burlacu Mendes agradeceu ainda a quem “teve um Natal de merda, porque preferiu jogar pelo seguro”. O sofrimento da enfermeira fica ainda patente na partilhar de uma imagem do seu braço com marcas de um “fato de astronauta”, depois de “um turno caótico”.

“Isto é o braço de quem, mais uma vez, ficou sem folga e veio dar o corpo ao manifesto.
É o braço de quem, mais uma vez, está exausta, sem paciência, com mazelas (possivelmente irreversíveis)
físicas e psicológicas. Isto é o braço de quem não tem mais forças para levar o mundo às costas”, explicou a jovem.