Escola em Rio de Mouro suspende aluno por “partilhar lanche” com colegas

COVID-19 | Um aluno do Agrupamento de Escolas Escultor Francisco dos Santos, em Rio de Mouro, Sintra, foi suspenso por um dia por ter partilhado uma sandes com os colegas. Apesar dos avisos, os jovens continuaram a não respeitar as regras. Atitude que a escola considera "muito grave", por "colocar em perigo o bem-estar de todos", em tempo de pandemia.

Agrupamento de Escolas Escultor Francisco dos Santos, em Rio de Mouro

Um aluno do Agrupamento de Escolas Escultor Francisco dos Santos, em Rio de Mouro, no concelho de Sintra, foi suspenso por um dia, por ter partilhado um “lanche com os colegas”, numa altura em que o mundo lida com uma pandemia.

Nas redes sociais está a ser partilhada a “Medida Disciplinar Sancionatória”, onde a escola considera que a atitude do aluno “muito grave”, considerando que a atitude “coloca em perigo o bem-estar de todos”.

“Uma vez que se procura incutir atitudes de respeito para com os outros e responsabilidade pelas atitudes tomadas, numa época em que temos de cumprir todas as regras [sanitárias], decreto a aplicação da medida disciplinar sancionatória de suspensão da frequência das atividades letivas por um dia”, pode lê-se no documento.

Segundo o documento, a medida terá sido aplicada ao estudante, esta terça-feira, dia 13 de outubro.

Entretanto ao Observador, Rui Pereira, vice-presidente e vereador da Educação da Câmara Municipal de Sintra, explicou que se trata de uma “situação recorrente” que envolve quatro jovens de diferentes turmas que não respeitavam as regras sanitárias da escola relativamente à pandemia de Covid-19, nomeadamente andavam sem máscara e partilhavam comida e bebida.

Segundo o autarca, apesar dos avisos, os jovens continuaram a não respeitar as regras e o caso culminou com a situação do lanche, acrescentando que “foram várias vezes avisados pelas funcionárias da escola e também pela direção das turmas”.

Carta da escola ao Ministério da Educação

Contactado pelo Observador, o Ministério da Educação diz estar a acompanhar a situação e enviou a carta da diretora do agrupamento de escolas ao encarregado de educação.

Leia a carta na íntegra:

“Exmo. Sr.EE

O seu educando, por ter ficado retido, encontra-se agora numa turma onde não conhece ninguém, pelo que no intervalo procura a companhia de colegas de outras turmas, seus colegas do ano passado, algo que este ano tem que ser rigorosamente evitado, mas que ele já ignorou por diversas vezes e por diversas vezes foi alertado. Não mudou de atitude. Também foi já alertado para que quando comesse, sem máscara, claro, deveria afastar-se do grupo, algo que ele repetidamente ignora. Também foram repetidamente os alunos avisados que não podem partilhar comida, como não podem partilhar material. O que eu vi, após ter este grupo de alunos já referenciado pelos professores e pelos funcionários, foi um quarteto de meninos, de turmas diferentes, juntos, sem mascara e a dar dentadas na comida uns dos outros. Não se trata de uma generosidade do seu filho em pagar uma sandes ao colega, que surpreendentemente ainda não teria comido nada as 16:30 da tarde, mas sim de estarem a dar dentadas no mesmo alimento. Se eu pagar comida alguém, dou-lha. Não implica que essa pessoa abocanhe a comida que está na minha mão. Sao coisas diferentes. E este grupo de 4 estava a incumprir não apenas uma regra, mas varias, o uso obrigatório de mascara, a distância física, a distancia quando se come e a mistura de turmas no intervalo. Tudo repetidamente e depois de avisados. A diretora de turma explicou tudo. Se não concordava, dirigia-se a mim. Pedia esclarecimentos. 

O plano de ação e contingência deu muito trabalho a fazer e deu muito trabalho a organizar as três escolas do Agrupamento para recebermos 1400 alunos em segurança. Não posso permitir que a estranha versão de generosidade do seu filho, que ainda me há-de indicar qual dos 4 estava em jejum, ponha tudo a perder. O cumprimento de simples regras de higiene e distanciamento são o que pedimos à geração do seu filho. O senhor fez hoje passar uma atitude irresponsável e de desrespeito pela escola toda, por um ato heróico. Os meus sinceros parabéns.  As regras são claras. No documento divulgado no inicio do ano é referido quais as penalizações para o seu incumprimento. 

Espero que tenha chegado para que retire o seu post cheio de inverdades  e que deu azo a que sem conhecerem os factos tantas pessoas venham encher o facebook de ódio. Não gostam do meu trabalho? De 4 em 4 anos há eleições para diretor.”

O SINTRA NOTÍCIAS tentou contactar o Agrupamento de Escolas Escultor Francisco dos Santos, que não presta declarações, referindo que o caso foi exposto ao delegado de Saúde Regional.

Sanção aplicada a aluno por partilhar lanche

Sintra Notícias com Observador