Fernando Morais Gomes | Leituras para a quarentena

    QUARENTENA | História da vila através da Cintra Pinturesca, clássico da autoria do Visconde de Juromenha, de 1838

    Nesta altura de quarentena, os amigos de Sintra podem entreter-se a descobrir um pouco da História desta vila através da Cintra Pinturesca, clássico da autoria do Visconde de Juromenha, de 1838, que é hoje difícil descobrir em livrarias, mas que pode ler online no link abaixo:
    http://revistatritao.cm-sintra.pt/…/e-merito-2-sintra-pintu…

    João António de Lemos Pereira de Lacerda, 2.º visconde de Juromenha (1807-1887) estudou no seminário irlandês de S. Pedro e S. Paulo, vulgarmente conhecido pelo Colégio dos Inglesinhos, passando depois ao Real Colégio dos Nobres. Foi mais tarde para a Universidade de Coimbra, onde se matriculou nas faculdades de Matemática e Filosofia, cursos que teve de interromper por ter rebentado a guerra civil em 1828.

    Descobrir um pouco da História desta vila através da Cintra Pinturesca, clássico da autoria do Visconde de Juromenha, de 1838

    Seu pai tornara-se partidário da causa miguelista e ele acompanhou-o nas mesmas ideias. Recebendo procuração de seu pai, representou-o na reunião dos Três Estados do Reino, convocados em Julho de 1828, e nessa qualidade aclamou a nova realeza. Não foi, porém, um político militante nem exaltado, e durante os anos de 1828 a 1838 não consta que se evidenciasse pelas ideias exageradas ou por feitos, que atraíssem antipatias e ódios.

    Quando terminou a campanha, contudo, dadas as simpatias miguelistas teve de emigrar. Regressando à pátria a sua estreia na carreira das letras foi a publicação da Cintra Pinturesca, ou Memoria descriptiva das villas de Cintra, Collares e seus arredores, Lisboa, 1838; saiu sem o nome do autor, e foi acompanhada dum atlas e de estampas ilustrativas de diversos pontos da Memoria.

    Esta obra foi revista por Alexandre Herculano, com quem o visconde de Juromenha travou relações por intermédio do seu antigo amigo e condiscípulo Inácio Pizarro de Morais Sarmento, realizando-se entre os três contínuas conferências literárias.

    Tido geralmente como um dos mais profundos investigadores das nossas antiguidades, colaborou no Jornal de Bellas Artes, nos jornais Nação e Catholico. Deixou muitos manuscritos, entre os quais : Lucrecia Borgia; estudo biográfico com as suas cartas, documentos, um fac-símile e um retrato contemporâneo desconhecido; Resposta à obra do sr. Latino Coelho «Camões» no tomo I da Galeria dos varões illustres; Angelberg, fragmento de viagem; opúsculo em que descreve a visita que o autor fez, acompanhando as filhas de D. Miguel de Bragança junto da sepultura de seu pai, quando foi assistir ao casamento da princesa D. Maria Teresa; O leão e o burro, conto chinês; refutação ao livro do general Francisco Leoni “Camões e os Lusíadas”.

    Fernando Morais Gomes



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