Carrilhões do Palácio de Mafra voltam a ouvir-se em fevereiro

A inauguração do restauro antecede a instalação do Museu Nacional da Música no Palácio.

Os carrilhões do Palácio Nacional de Mafra voltam a tocar no dia 1 de fevereiro, quase 20 anos depois de terem parado, com o concerto inaugural marcado para dia 2, data anunciada hoje pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, no Parlamento.

“Os carrilhões de Mafra vão voltar a tocar a 02 de fevereiro”, afirmou a governante na audição conjunta da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças e da Cultura e Comunicação, no âmbito da apreciação na especialidade do Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).

Um dia antes, porém, tem início o programa relativo à inauguração do restauro dos sinos e carrilhões do Palácio Nacional de Mafra, que compreende um conjunto de concertos e palestras, depois de ficarem concluídas as obras ao fim de ano e meio, disse hoje à Lusa o diretor daquele monumento nacional, Mário Pereira.

A inauguração do restauro antecede a instalação do Museu Nacional da Música no Palácio, que foi também apresentado por Graça Fonseca como um dos “investimentos prioritários” do Governo para 2020, no âmbito da reabilitação do património cultural.

O programa inicia-se no dia 01, com diversos recitais sobre a herança da família Gato, os compositores ao serviço da Coroa nos séculos XVIII e XIX.

No carrilhão da torre sul, serão interpretadas músicas originais compostas para carrilhão, arranjos para carrilhão de música barroca, e sobre as cidades de Antuérpia e Liége, donde são naturais os fundidores dos dois carrilhões, Willem Witlockx e Nicolas Levache. Serão intérpretes os carrilhonistas Francisco Gato, Abel Chaves, Luc Rombousts, Ana Elias, Frank Deleu, Koen Van Assche, Marie-Madeleine Crickboom.

Depois do restauro dos seis órgãos históricos, inaugurado em 2010, a reabilitação dos carrilhões, que já não tocam desde 2001 e dos sinos “vem reforçar uma das singularidades do palácio”, a sua monumentalidade, ao ter o maior conjunto sineiro, a nível mundial, e seis órgãos históricos a tocarem em conjunto, únicos no mundo, disse o diretor do palácio.

Ainda primeiro dia, 1 de fevereiro, estão previstas duas palestras, uma das quais sobre a heranaça de Willem Witlockx, por Luc Rombouts, musicólogo e carrilhonista belga, da cidade de Tienen. No dia 2, realiza-se a bênção dos sinos e o concerto inaugural do restauro, momento em que os carrilhonistas Abel Chaves e Liesbeth Janssens vão interpretar composições de Vivaldi.

Palácio Nacional de Mafra | Frame: Nuno Castro / youtube

No segundo dia, decorrem também várias palestras sobre a encomenda dos dois carrilhões para o Real Paço de Mafra, por Isabel Iglésias, sobre a empreitada de reabilitação dos carrilhões e torres sineiras, por Luís Marreiros, sobre o complexo sineiro de Mafra, por João Soeiro de Carvalho, e sobre o estudo acústico dos carrilhões, por Vincent Debut.

Apesar de as obras de restauro englobarem os dois carrilhões, só o da torre sul vai ficar a funcionar. A intervenção de restauro, orçada em 1,5 milhões de euros, começou no verão de 2018, depois de, nesse inverno, terem sido adotadas interdições de circulação no local, por sinos e carrilhões ameaçarem cair com o mau tempo.

Os sinos, alguns a pesarem 12 toneladas, estavam presos por andaimes desde 2004, para garantir a sua segurança, pois as respetivas estruturas de suporte, em madeira, encontravam-se apodrecidas.

Cada uma das torres contém um carrilhão (e respetivos sinos musicais), um relógio (sinos de horas) e parte de um conjunto sineiro de serviço litúrgico (sinos de bamboar), distribuído por ambas as torres.

Os dois carrilhões e os 119 sinos, repartidos por sinos das horas, da liturgia e dos carrilhões, constituem o maior conjunto sineiro do mundo, sendo, a par dos seis órgãos históricos e da biblioteca, o património mais importante do Palácio Nacional de Mafra, classificado como Património Cultural Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), no passado mês de julho.