PS vai governar sozinho, sem acordos escritos

A Comissão Política do PS mandatou António Costa para formar governo.

António Costa, na noite eleitoral das eleições legislativas 2019

O próximo Governo não vai contar com acordos escritos como aconteceu há quatro anos, aquando do nascimento da Geringonça. Isso mesmo ficou explícito num comunicado emitido, esta quinta-feira à noite, pelo Partido Socialista.

“Resultou dos contactos [feitos com os partidos de Esquerda e o PAN] que, à semelhança da legislatura agora finda, será prosseguida uma metodologia idêntica de apreciação prévia das propostas de orçamentos do estado e de outras relevantes para a estabilidade governativa”, lê-se na nota.

No documento, o PS sublinha também que “desses contactos resulta claro que o PS tem condições para formar Governo, tendo todos os partidos manifestado vontade de trabalhar para que haja mais quatro anos de estabilidade política, estabilidade que é essencial para o desenvolvimento do país, para a confiança que gera crescimento e para a nossa credibilidade externa”.

E, por isso, a Comissão Política “decidiu mandatar o Secretário Geral do PS para proceder à formação do Governo”.

Na intervenção que António Costa fez na reunião desta noite da Comissão Política, o secretário-geral do PS disse que – segundo adiantaram fontes à agência Lusa – desta vez não se repetirá a assinatura de declarações conjuntas do PS com o Bloco de Esquerda, PCP e PEV, tal como em 2015, mas salientou logo a seguir que a metodologia de trabalho adotada na anterior legislatura se manterá, sendo agora alargada ao PAN e Livre.

Fonte socialista adiantou à agência Lusa que, se o PS fizesse um acordo escrito de legislatura apenas com o Bloco de Esquerda, estaria agora a hierarquizar parceiros na nova solução política, o que dentro do PS se considera indesejável.

Por outro lado, na sua intervenção, António Costa, para desdramatizar a ausência de qualquer acordo escrito, afirmou que o teor das anteriores declarações conjuntas com o Bloco de Esquerda, PCP e PEV se esgotou há dois anos, a meio da legislatura.

O importante, segundo o secretário-geral do PS, é que o Bloco de Esquerda, PCP e PEV, assim como o Livre e o PAN, estão disponíveis para “análise conjunta prévia de orçamentos do Estado” e de outros documentos relevantes do ponto de vista político, assim como também não votam moções de rejeição ou de censura vindas de forças da direita.