BE contra “anos de congelamento de salário e carreiras” na Parques de Sintra Monte da Lua

Uma centena de trabalhadores da PSML concentrou-se hoje de manhã junto ao Palácio Nacional de Sintra para reivindicar aumentos salariais e a integração de precários na empresa.

Da esquerda para a direita: André Beja (BE), deputado na Assembleia Municipal de Sintra e Isabel Pires (BE) deputada na Assembleia de República

A concentração de trabalhadores da Parques de Sintra Monte da Lua (PSML) hoje junto ao palácio Nacional de Sintra, para reivindicar aumentos salariais e a integração de trabalhadores na empresa, mereceu forte protesto do Bloco de Esquerda (BE) de Sintra através do seu deputado Municipal, André Beja, que considera ser uma “vergonha que um lugar que é património da humanidade e que se orgulha de receber bem os turistas viva tranquilamente com estas condições de trabalho e com a precariedade”.

O protesto contou também com a presença de Isabel Pires, deputada e candidata do Bloco, que começou por chamar a atenção para a “necessidade de garantir justiça para estes trabalhadores e trabalhadoras, muitos sem aumentos há quase duas décadas, dignidade nas carreiras e soluções para acabar com a precaridade”, lembrando a necessidade do ministério das finanças intervir para “desbloquear a situação”.

Segundo a deputada Isabel Pires, a greve dos trabalhadores que se estende por dois dias, regista “fortes perturbações nos parques e palácios do concelho”, dando conta que na sequência de informação recolhida junto da Comissão de Trabalhadores, “o funcionamento dos monumentos está a ser assegurado com o mínimo de recursos humanos”.

A ação de protesto, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas e Afins (STAL), assinalou o início de uma greve de dois dias dos trabalhadores da empresa que gere os monumentos do concelho de Sintra.

Na PSML trabalham cerca de 430 trabalhadores, dos quais 270 têm vínculo direto à empresa e cerca de 160 a empresas de trabalho temporário ou a recibos verdes.

“Os trabalhadores reclamam um aumento de salários, que, resultado do estatuto empresarial deste organismo, foi sendo congelado ao longo de quase de duas décadas, bem como revisão e valorização de carreiras e fim do recurso do trabalho precário que afeta 160 das 430 pessoas que trabalham para a PSML”, sublinhou Isabel Pires, deputada do BE.

Recorde-se, o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, responsabilizou esta manhã o secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo, pelos problemas laborais da da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML). “Os trabalhadores têm razão e o problema já podia estar resolvido se o senhor secretário de Estado em vez de ter cá vindo buscar 75% dos lucros desta empresa viesse buscar apenas os 33% do ano anterior. Eu daqui peço ao senhor secretário de Estado que não deixe prolongar este conflito laboral”, apelou o autarca, em declarações à LUSA.

Segundo fonte do STAL, o impacto orçamental das reivindicações seria de 300 mil euros ao ano, uma quantia bem modesta quando comparada com as receitas da empresa que, fruto da elevada procura pelos monumentos de Sintra e tarifários muito elevados, a empresa teve, nos últimos 4 anos, um lucro médio de 9,4 milhões ao ano.

A PSML foi criada em 2000 para gerir os parques históricos e monumentos do concelho de Sintra, nomeadamente a Pena e Monserrate, o Castelo dos Mouros, o Convento dos Capuchos e os palácios nacionais de Sintra e de Queluz.

A empresa tem como acionistas (públicos) a Direção Geral do Tesouro e Finanças (35%), o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (35%), o Turismo de Portugal (15%) e a Câmara Municipal de Sintra (15%).

Em declarações à Lusa, na sexta-feira, fonte da PSML referiu que a empresa “apresentou um pacote de melhorias laborais, aprovado pelos acionistas, que inclui aumentos salariais e reforço de benefícios para os colaboradores da empresa”.

“A PSML está a negociar com as estruturas sindicais, de forma a que a sua proposta seja possível de concretizar, através de um acordo de empresa, e assim viabilizar a introdução destes benefícios com efeito retroativo a janeiro deste ano”, acrescenta a mesma fonte.

A empresa ressalvou ainda que “está a planear os serviços, nos termos da lei, de forma a minimizar os efeitos que possam surgir com esta paralisação”.