Basílio Horta apela ao secretário de Estado do Tesouro para terminar conflito laboral na Parques de Sintra

Uma centena de trabalhadores da PSML concentrou-se hoje de manhã junto ao Palácio Nacional de Sintra para reivindicar aumentos salariais e a integração de precários na empresa.

Basílio Horta esta manhã no Terreiro do Palácio Nacional de Sintra

O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, responsabilizou esta manhã o secretário de Estado do Tesouro, Álvaro Novo, pelos problemas laborais da da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML).

“Os trabalhadores têm razão e o problema já podia estar resolvido se o senhor secretário de Estado em vez de ter cá vindo buscar 75% dos lucros desta empresa viesse buscar apenas os 33% do ano anterior. Eu daqui peço ao senhor secretário de Estado que não deixe prolongar este conflito laboral”, apelou o autarca, em declarações à LUSA.

Uma centena de trabalhadores da PSML concentrou-se hoje de manhã junto ao Palácio Nacional de Sintra para reivindicar aumentos salariais e a integração de precários na empresa.

A ação de protesto, convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas e Afins (STAL), assinalou o início de uma greve de dois dias dos trabalhadores da empresa que gere os monumentos do concelho de Sintra.

Apesar da paralisação, todos os monumentos geridos pela PSML estavam abertos ao público, ainda que a funcionar com serviços mínimos, nomeadamente a Pena e Monserrate, o Castelo dos Mouros, o Convento dos Capuchos e os palácios nacionais de Sintra e de Queluz.

“Hoje não é fácil para os nossos colegas que estão a trabalhar. Estão a trabalhar nos limites dos limites. Há salas que não estão a ser vigiadas e não se sabe o que vai acontecer”, afirmou à agência Lusa Maria José, do STAL.

A sindicalista sublinhou que o protesto é pela “valorização de todos os trabalhadores” e pela “reposição de uma situação de justiça”.

“Há 18 anos que não temos aumentos, mas o Estado veio cá buscar sete milhões dos lucros que a empresa teve”, criticou.

Depois desta concentração, os manifestantes dirigiram-se para o Ministério das Finanças, em Lisboa, para entregar uma resolução.

A PSML foi criada em 2000 para gerir os parques históricos e monumentos do concelho de Sintra, nomeadamente a Pena e Monserrate, o Castelo dos Mouros, o Convento dos Capuchos e os palácios nacionais de Sintra e de Queluz.

A empresa tem como acionistas (públicos) a Direção Geral do Tesouro e Finanças (35%), o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (35%), o Turismo de Portugal (15%) e a Câmara Municipal de Sintra (15%).

Na PSML trabalham cerca de 430 trabalhadores, dos quais 270 têm vínculo direto à empresa e cerca de 160 a empresas de trabalho temporário ou a recibos verdes.

Em declarações à Lusa, na sexta-feira, fonte da PSML referiu que a empresa “apresentou um pacote de melhorias laborais, aprovado pelos acionistas, que inclui aumentos salariais e reforço de benefícios para os colaboradores da empresa”.

“A PSML está a negociar com as estruturas sindicais, de forma a que a sua proposta seja possível de concretizar, através de um acordo de empresa, e assim viabilizar a introdução destes benefícios com efeito retroativo a janeiro deste ano”, acrescenta a mesma fonte.

A empresa ressalvou ainda que “está a planear os serviços, nos termos da lei, de forma a minimizar os efeitos que possam surgir com esta paralisação”.