Naquela Madrugada de Abril

25 de Abril | Portugal democrático

Salgueiro Maia, o rosto da Liberdade | Imagem: Alfredo Cunha / Google

“Tia Aurora segue Estados Unidos da América, dia 25, três da manhã, um abraço primo António”. Foi através deste telegrama em código que Vasco Lourenço ficou a conhecer a data do golpe que vinham preparando. Depois foi o sucesso do movimento com o povo rua. Seguiram-se anos de agitação política, o fim do período de transição e a “injustiça” para com os militares de abril.

Contudo, “nessa madrugada do dia inicial, inteiro e limpo (como poetizou Sophia de Mello Breyner) os militares de Abril foram claros nas suas promessas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia”, recorda Vasco Lourenço.

O militar destaca ainda a importância da Revolução dos Cravos que “pôs fim ao isolacionismo a que Portugal estava condenado há já vários anos e ajudou ao nascimento de novos países independentes. Constituindo-se o movimento pioneiro de enormes transformações democráticas em todo o mundo e demonstrando que as Forças Armadas não estão condenadas a ser um instrumento de opressão, podendo, pelo contrário, ser um elemento libertador dos povos”, refere Vasco Lourenço, na sua mensagem.

“Tia Aurora segue Estados Unidos da América, dia 25, três da manhã, um abraço primo António”

O presidente da direcção da Associação 25 de Abril, não esquece o papel dos capitães de abril, que “cumpriram todas as suas promessas” e transformaram “o seu acto libertador numa acção única na História da Humanidade. Disso se orgulham, nisso se revêem. Porque se não pode apagar a memória, porque importa ter presente a razão de ser do 25 de Abril, a Associação 25 de Abril, assumindo-se como herdeira dos que tudo arriscaram para a libertação dos seus concidadãos”, destaca Vasco Lourenço numa altura em que a revolução conta 43 anos de existência.

Associação 25 de Abril

A Associação 25 de Abril, de natureza cultura e cívica procura desenvolver a sua actividade com o objectivo de alargar, expandir e fortalecer os ideias do 25 de Abril. Nascida em 1982, com o fim do período de transição e do Conselho de Revolução, foi formada inicialmente só por militares, a grande maioria dos quais militares de Abril, participantes na conspiração ou envolvidos no processo em que surgiu a revolução.
Hoje, é uma associação de militares e civis. Realizam colóquios, exposições, geralmente no âmbito das comemorações do 25 de abril, para que Abril, seja recordado e comemorado. Sempre!

Jorge Tavares / Sintra Notícias