Mafra quer beneficiar do passe social dos transportes públicos de Lisboa

    Reunião pública, o executivo municipal da Câmara de Mafra

    Hélder Sousa Silva, presidente da Câmara de Mafra

    A Câmara de Mafra decidiu hoje solicitar ao Governo que estenda aos cidadãos do concelho os passes sociais intermodais dos transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa (AML).

    Na reunião pública, o executivo municipal aprovou por unanimidade uma moção que vai ser enviada ao Governo a “reivindicar a criação de um passe social intermodal para toda a AML, garantindo a igualdade de oportunidades na utilização dos transportes públicos”, refere o documento, a que a agência teve acesso.

    O presidente da Câmara de Mafra, Hélder Sousa Silva, explicou que os cidadãos do concelho estão excluídos do passe social existente para os transportes públicos na AML.

    “Há alguma injustiça para alguns, como é o caso de Mafra, porque os passes sociais cobrem só Lisboa e os municípios da primeira franja da AML, deixando de fora Mafra”, explicou, lembrando que já existiram decisões no conselho da Área Metropolitana de Lisboa no sentido de haver igualdade para todos os municípios.

    De acordo com a moção, os custos com os transportes “são elevados” e, segundo o autarca, as empresas do transporte rodoviário que operaram no concelho “aumentaram o custo do bilhete este ano”.

    Para o município, “há um contrassenso que urge ultrapassar quando do ponto de vista político se defende o aumento da utilização do transporte público e por outro lado se onera o preço do bilhete”.

    Uma vez que o concelho não é servido pela Carris nem pelo Metro, e depende do transporte rodoviário assegurado por empresas privadas, o autarca voltou a defender a modernização urgente da Linha ferroviária do Oeste.

    A autarquia estima que 1.500 a 2.000 cidadãos do concelho viagem por dia para a capital.

    A 01 de fevereiro, a Câmara de Lisboa assumiu a gestão da rodoviária Carris – 41 anos depois de a ter ‘perdido’ para o Estado -, num processo que gerou alguma polémica, após o PCP ter pedido a apreciação parlamentar do decreto que dá ‘luz verde’ à transferência.

    Além de Lisboa, a Carris serve também os concelhos de Loures, Odivelas, Amadora, Oeiras e Almada.

    No início do mês, o presidente da Câmara Municipal de Loures reiterou a sua oposição à entrega da gestão da Carris apenas ao município de Lisboa e defendeu para os transportes públicos um modelo semelhante ao das águas e saneamento.

    Em declarações à agência Lusa, Bernardino Soares (CDU) afirmou que as últimas situações ocorridas no setor dos transportes, nomeadamente a entrega da Carris a Lisboa e o fim dos passes combinados entre a Carris, o Metro e a Rodoviária de Lisboa, demonstram uma “preocupante descoordenação”.