Basílio Horta, o autarca ciclista quer repensar os transportes na Grande Lisboa

Entrevista ao programa Carla Rocha – Manhã da Renascença

Foto: Rádio Renascença / Lusa

O também presidente da Autoridade Metropolitana de Lisboa foi convidado do programa Carla Rocha – Manhã da Renascença, onde admitiu que tem o “Rolls Royce das bicicletas” e que ainda não pensou se se vai recandidatar a Sintra.

Nos últimos 10 anos, os transportes públicos da zona de Lisboa perderam 100 mil passageiros. O balanço é feito por Basílio Horta, presidente da Autoridade Metropolitana de Lisboa.

“Em 2005, cerca de 500 mil pessoas usavam transportes colectivos. Em 2016, temos 400 mil”, afirmou esta segunda-feira.

Em entrevista no programa Carla Rocha – Manhã da Renascença, o também autarca de Sintra deixou mais números. “A população da AML [Área Metropolitana de Lisboa], em números redondos, são dois milhões e 800 mil pessoas. A população por dia de movimentos pendulares é um milhão e 600 mil pessoas. Dentro dos concelhos, é um milhão, entre concelhos 600 mil”.

Mas, dentro destes que se movimentam, 68% fazem-no em transportes privados. “O que é que se tem passado neste sector?”, questiona, avançando com as respostas, em tom de crítica.

“Por um lado, um grande aumento de preços – entre 2011 e 2012, sobe 15% – e uma diminuição muito grande dos passageiros dos transportes colectivos”, o que se tem traduzido num “serviço cada vez pior, investimentos não têm sido feitos ao nível exigível, as coroas – que é até onde vai o passe intermodal – são mal desenhadas e, portanto, os utentes cansam-se de esperas, de ir mal instalados, de transportes que não respeitam as horas”.

O melhor exemplo de tudo isto é “o Metropolitano [de Lisboa]”, mas também “as Linhas de Cascais em termos de ferrovia”, em cuja remodelação “o presidente da Câmara insiste, e muito bem”.

O presidente da Área Metropolitana de Lisboa considera, portanto, que existe “todo um mundo nos transportes que é necessário repensar e a Área Metropolitana tem essa grande oportunidade”.

Até 2019, altura em que “os concursos têm de ser lançados”, há três aspectos a analisar: “primeiro, os investimentos; em segundo lugar, as coroas e, em terceiro, as tarifas”, defende.

O segundo passo é repensar a coordenação ente municípios. “Dentro de cada município, os transportes intermunicipais, exclusivamente, devem ser competência das Câmaras Municipais. O que as Câmaras têm de saber é quais são as verbas que lhe são atribuídas pelo Orçamento do Estado para os passes sociais. Depois, das duas uma: ou dentro dessas verbas criam as carreiras que entendem mais úteis ou querem ir mais longe e aí têm de pagar do seu orçamento”, propõe.

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