Encerramento de unidades deixa cuidados continuados com menos 864 camas

    A rede de cuidados continuados em Portugal perdeu 749 camas entre 2021 e 2026, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC), que alerta para o agravamento da situação no setor devido ao subfinanciamento.

    De acordo com a associação, o encerramento de centenas de camas tem vindo a ocorrer ao longo dos últimos cinco anos, com várias Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) a deixarem de funcionar.

    “Entre 2021 e 2026 encerraram um total de 749 camas”, refere José António Bourdain, presidente da ANCC, em nota enviada ao Sintra Notícias. A este número, a associação acrescenta 115 camas resultantes da consolidação da rede, por considerar que “uma vaga em apoio domiciliário não substitui a necessidade de uma cama de internamento”. Nesse cenário, a ANCC contabiliza 864 camas encerradas nos últimos seis anos.

    O ano de 2026 apresenta, até ao momento, o número mais elevado de encerramentos. Segundo a associação, foram já encerradas 264 camas, correspondentes a 10 UCCI, às quais se juntam outras 72 camas no âmbito da consolidação da rede, num total de 336 camas encerradas este ano.

    “Um número superior à soma total dos três últimos anos”, sublinha a ANCC, considerando que estes dados “confirmam o estado limite das UCCI” que a associação tem vindo a denunciar.

    A situação poderá ainda agravar-se nos próximos meses. A ANCC admite que mais unidades possam encerrar nos próximos três meses, aumentando o número de camas perdidas na rede de cuidados continuados.

    Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)

    A associação aponta também críticas à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Das 5.500 camas inicialmente previstas, terão sido contratualizadas pouco mais de 2.500, sendo que algumas, segundo a ANCC, nunca chegaram a ser concretizadas.

    Para a associação, “é fundamental que o Governo divulgue os números reais”, uma vez que, tendo em conta os encerramentos registados, cerca de um terço das camas criadas através do PRR estará a ser anulada pelos encerramentos entretanto ocorridos.

    “Gasta o país dezenas de milhões para criar camas novas e perde os milhões já investidos por deixar encerrar camas”, conclui a ANCC.