A Casa da Cultura Lívio de Morais, em Mira Sintra, recebeu na segunda-feira a apresentação da recandidatura de Luís Montenegro à liderança do PSD, cujas eleições internas estão agendadas para 30 de maio.

Durante a intervenção, o presidente social-democrata e atual primeiro-ministro defendeu a necessidade de avançar com reformas estruturais no Estado, acusando vários setores políticos e corporativos de resistirem à mudança.

“Há muitos que defendem um Estado mais ágil e eficiente apenas no discurso. Quando chega o momento das decisões, recuam e fazem de conta que não é nada com eles”, afirmou Montenegro.

O líder do PSD garantiu que o Governo está disponível para “aprofundar, densificar e discutir opções”, mas afastou qualquer cenário de manutenção do atual modelo. “Não estamos disponíveis para deixar tudo na mesma”, sublinhou.

Montenegro dirigiu ainda críticas às resistências corporativas e aos setores que, segundo disse, beneficiam da burocracia e da falta de reformas. “Levantem-se as resistências que se levantarem. Há quem viva à conta do excesso de burocracia, do excesso de regras e da corrupção instalada”, declarou.

Num discurso de cerca de 45 minutos, o primeiro-ministro acusou outros partidos de defenderem reformas apenas em teoria. “Reformar, sim, mas na porta ao lado. Reformar, sim, mas não no meu setor”, ironizou, acrescentando que o PSD irá “forçar a decisão” e obrigar os partidos a posicionarem-se no momento das votações.

Montenegro aproveitou ainda para fazer um balanço dos quatro anos à frente do partido, destacando a evolução eleitoral do PSD. “Há quatro anos não éramos o maior partido de Portugal. Hoje somos, inquestionavelmente, o maior partido português”, afirmou, recordando as vitórias alcançadas em eleições legislativas, autárquicas e regionais.

Antes da intervenção do líder social-democrata, o coordenador da moção e ministro da Educação, Fernando Alexandre, defendeu que a estabilidade política começou a ser construída durante os governos de Pedro Passos Coelho, através da correção de desequilíbrios macroeconómicos.

Apesar de reconhecer que o PS deu continuidade a essa estabilidade, Fernando Alexandre considerou que os socialistas “não tiveram capacidade para transformar estabilidade em ambição”. “Desbloquear Portugal só é possível com reformas”, afirmou.

Segundo explicou, a moção “Fazer Portugal Maior” pretende colocar “o Estado ao serviço dos portugueses, em vez de se servir a si próprio”.

A sessão contou ainda com a presença de várias figuras do PSD e do Governo, entre as quais o secretário-geral do partido, Hugo Soares, os presidentes das câmaras municipais de Lisboa, Sintra e Cascais, e os ministros Gonçalo Matias e Carlos Abreu Amorim.

Fotografia: PSD Sintra / Facebook