A recente aprovação do novo regime de estacionamento em Sintra, viabilizada pelos votos do PSD, Chega e de uma ex-eleita da IL, representa uma decisão profundamente desligada da realidade das famílias do concelho.
Não podemos aceitar que o espaço público seja transformado numa máquina de receita à custa de quem trabalha e de quem apenas procura um momento de descanso.
1. Taxar o lazer: as praias com “portagem”.
Ao tornar pago o estacionamento na Praia Grande e na Praia das Maçãs (ficando de fora a Adraga, o Magoito e São Julião – com que critério?), a autarquia cria uma “portagem” invisível sobre as famílias. Ir à praia ao fim de semana, um direito básico de lazer, passa a ser um privilégio condicionado ao parquímetro. Esta medida afasta os sintrenses do seu próprio litoral.
2. Penalizar quem trabalha: o fim da gratuitidade nas estações.
A decisão de cobrar no auto-silo de Agualva-Cacém e no parque de Massamá é um contrassenso. Estes parques são utilizados por quem depende do comboio para ir trabalhar. Taxar estes interfaces é desincentivar a mobilidade sustentável e agravar os encargos de quem já enfrenta um custo de vida elevado.
3. A mão pesada da fiscalização.
Como se não bastasse pagar para estacionar, as taxas de bloqueamento (85€) e remoção (108€) são desproporcionais e punitivas. Ao conceder à EMES margem para atuar de forma alargada nas freguesias urbanas, cria-se um clima de pressão sobre os automobilistas, sem que tenham sido asseguradas alternativas viáveis de estacionamento gratuito.
Conclusão: uma escolha política errada.
O voto contra do Partido Socialista em reunião de Câmara reflete uma discordância clara com este modelo. Não se organiza o território apenas com multas e taxas. Sintra precisa de equilíbrio, de justiça social e de uma gestão centrada nas pessoas – não apenas na receita.
Sintra é de todos, não pode ser privatizada lugar a lugar.
Carlos Vieira,
Coordenador da Secção de Sintra do PS



