A Associação Nacional de Cuidados Continuados (ANCC) denunciou esta semana que, no final de janeiro, as Unidades de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) foram obrigadas a assumir, sem qualquer compensação, os aumentos salariais decretados pelo Governo.
Em comunicado, José Bourdain, presidente da direção da ANCC, sublinha que, enquanto o Executivo impõe encargos adicionais, sobretudo com salários, mantém congelados os preços pagos aos cuidados continuados, criando um “desequilíbrio financeiro grave” que ameaça a sustentabilidade de instituições essenciais à prestação de cuidados de saúde.
António Bourdain critica ainda o que considera uma discrepância na atuação do Governo: “Com dinheiro dos impostos de todos os portugueses, é possível apoiar restaurantes em dificuldades, mas não há uma resposta célere para evitar o encerramento de unidades de saúde fundamentais”.
O presidente da ANCC alerta que o eventual encerramento de UCCI, responsáveis por cuidados que vão desde a reabilitação ao acompanhamento de pessoas em fim de vida, evidencia uma falta de prioridade do Governo na área da saúde, contrastando com a rapidez com que apoia outros setores económicos.
A associação sublinha que esta situação coloca em risco não apenas as instituições, mas também a prestação de cuidados a milhares de cidadãos, destacando o paradoxo entre o apoio a negócios privados e a manutenção de serviços essenciais de saúde.



