O Bloco de Esquerda (BE) de Sintra manifestou esta sexta-feira “profundo repúdio” pelo acordo estabelecido entre o PSD e o Chega, que, segundo o partido, “abre as portas da extrema-direita ao Executivo Municipal” do segundo maior concelho do país.
Em comunicado, a concelhia bloquista acusa o presidente da Câmara, Marco Almeida, e o PSD de “contradizerem o ‘não é não’ que o partido andou a apregoar” e de “trair a confiança de quem votou na coligação PSD–IL–PAN para evitar a vitória da extrema-direita”. O BE considera que o entendimento “confirma a deriva ideológica de um projeto político disposto a abdicar de princípios democráticos em nome do poder”.
O partido deixa ainda críticas à Iniciativa Liberal (IL), lembrando que a direção nacional “sabia desde agosto da abertura de Almeida para trazer o Chega a bordo”, e acusa o partido de apenas agora “tentar salvar a face à pressa”, ao retirar a confiança política à sua cabeça de lista.
Para o BE, a entrada do Chega na governação local “não é um detalhe nem um acaso”, mas “uma escolha consciente que normaliza o discurso do ódio, da exclusão e da xenofobia”. A estrutura local acusa o PSD e a vereadora eleita pela IL de “pactuarem com quem ataca diariamente os direitos das mulheres, dos imigrantes, das minorias e dos trabalhadores”.
O comunicado critica ainda a deputada do Chega, Rita Matias, que terá recusado assumir responsabilidades executivas no município. “Prefere manter-se no conforto do Parlamento, acumulando funções e protagonismo político. Esta é a medida da seriedade do acordo: um arranjo de bastidores que garante lugares e influência, mas que foge às obrigações do serviço público”, lê-se no texto. O BE acrescenta que “Sintra merece mais do que vereadoras-fantasma ao serviço da propaganda e do extremismo”.
O partido denuncia também o que considera ser “promiscuidade política”, referindo-se à nomeação do marido da vereadora da IL para um cargo de gestão nos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS). Para o BE, esta decisão “transforma cargos públicos em espaços de conivência partidária” e constitui “um insulto à transparência e à ética”, alertando ainda que “abre caminho à privatização de um bem essencial”.
Na nota final, o Bloco sublinha que “o que está em causa não é apenas a composição de um executivo, mas o futuro democrático do concelho”. O partido afirma que continuará “vigilante e atuante” para “travar cada tentativa de instrumentalizar o poder local” e defender “um concelho livre, solidário e justo”.



