Rui Maximiano

“Sempre defendi e acreditei que todos aqueles que têm capacidade e disponibilidade devem envolver-se ativamente na sua comunidade. Só assim, em conjunto com os outros, conseguimos fazê-la crescer, desenvolver-se e melhorar continuamente, deixando um legado mais sólido para as gerações que nos seguem.

Este princípio aplica-se a qualquer dimensão da vida comunitária – seja numa autarquia, num clube, numa associação, numa paróquia – em suma, em tudo o que dá vida e identidade ao lugar onde vivemos e partilhamos recursos.

Foi com esse espírito que, há 28 anos, aceitei integrar uma lista candidata à Junta de Freguesia de Almargem do Bispo. Assim começou um caminho que me acompanhou até hoje, sempre ligado à Freguesia onde nasci e cresci e, nos últimos doze anos, também às freguesias de Pêro Pinheiro e Montelavar. Servi durante sete mandatos autárquicos, quatro dos quais, os mais recentes, como presidente da Junta de Freguesia.

Embora nunca tenha sido defensor da agregação que deu origem à União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar, desempenhei sempre as minhas funções com total empenho e imparcialidade, respeitando todas as pessoas e instituições desse vasto território. Fui eleito em todas as eleições desde então e sinto uma profunda honra pelo percurso feito. A reposição atual das freguesias é, para mim, motivo de satisfação: deixamos as autarquias com boas condições de funcionamento, saúde financeira e com equipas mais capacitadas, fruto da experiência numa estrutura de maior dimensão.

Foram anos de dedicação constante, de pensamento estratégico e de esforço diário para ultrapassar os desafios do presente. Anos de construção e melhoria – redes de saneamento, centros de saúde, requalificação de escolas, duplicação da Linha do Oeste, pavimentação das principais vias, uma creche, eventos coletivos de enorme projeção – mas, sobretudo, anos de proximidade com as pessoas. Participei em inúmeros momentos da vida comunitária, muitos dos quais só foram possíveis com o apoio da Junta de Freguesia. Sempre com atenção às áreas essenciais: ação social, desporto, associativismo, saúde, educação e manutenção do espaço público – inovando quando necessário, mas sem nunca perder o respeito pelas tradições.

Sinto que cumpri os objetivos a que me propus. Levo comigo o reconhecimento da comunidade, mas, acima de tudo, levo amizades duradouras – entre colegas de executivo e colaboradores da autarquia.

Naturalmente, lamento a não continuidade, por vontade legítima dos eleitores, da força política que sempre representei e na qual continuo a acreditar. Mas aceito o resultado com a humildade que procurei manter ao longo de todos estes anos de serviço público.

Acredito que a democracia é feita de ciclos, de vitórias e de derrotas. Um sistema em constante renovação. Em cada eleição, há uma decisão popular e coletiva que reflete a vontade de uma sociedade. As vitórias representam o triunfo de certas ideias e valores, mas trazem também a responsabilidade de governar para todos. As derrotas, por sua vez, são parte essencial do processo – ensinam, fortalecem e preparam o caminho para novas oportunidades. E será sempre graças à dedicação de muitos homens e mulheres que a democracia se mantém viva e forte.

A democracia deu-nos também a sorte de, nos últimos três mandatos, termos à frente da Câmara Municipal de Sintra um grande homem da vida pública – um mestre no serviço à causa comum, um exemplo de liderança, a quem deixo o meu profundo agradecimento. Da mesma forma, quero expressar o meu reconhecimento à equipa de vereadores que o acompanhou: pessoas dedicadas, competentes e sempre atentas à vida das populações, a quem presto a minha amizade.

Desejava muito que a candidata do Partido Socialista, Ana Mendes Godinho, pudesse suceder-lhe na presidência da Câmara Municipal. Reconheço nela um verdadeiro espírito de serviço público, uma energia contagiante, capacidade de unir vontades e uma dedicação genuína às pessoas. Ainda assim, respeito profundamente a decisão soberana dos cidadãos e a vontade popular que seguiu outro rumo. Desejo, por isso, o maior sucesso aos novos executivos eleitos – tanto na Câmara Municipal como nas Freguesias do concelho, e em particular à Freguesia de Almargem do Bispo.

Estarei por cá, como sempre, disponível para contribuir para o reforço e defesa da democracia – o mais nobre dos compromissos coletivos.”

Rui Maximiano,
Presidente cessante da União das Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar