“Igreja Matriz de Nossa Senhora de Belém”

    Opinião: Júlio Cortês Fernandes

    Júlio Cortez Fernandes

    No coração de Rio de Mouro, dito antigo, ou talvez inapropriado Velho, ergue-se um templo que funde fé comunidade, e identidade, a Igreja Matriz de Nossa Senhora de Belém.

    Foi o cardeal D. Henrique, tio avô do infeliz rei D. Sebastião, quem encomendou esta construção que a partir de 1563, acolheu os frades da ordem de S. Jerónimo, vindos do Mosteiro da Penha Longa, onde a devoção à Virgem de Belém era viva, afastando qualquer confusão com os Jerónimos de Lisboa, e reforçando uma ligação espiritual unido a Serra de Sintra  ao Tejo.

    A Igreja formada por nave única de arquitetura maneirista, escorreita, resistiu ao terramoto de 1755,  e as inclemências do tempo.

    No seu interior destacam-se a pia de água benta, ao estilo manuelino, o que segundo alguns historiadores, parece demonstrar igreja mais antiga do que a data 1563, gravada na pedra sobre a porta principal.

    Além desta pia destacam-se, imagem gótica de São Brás, um baixo relevo da Anunciação, e altar mor em talha dourada, singulares testemunhos do cruzamento épocas e estilos.

    Todavia, o que torna este templo especial é a ligação profunda entre a pedra e a gente que o frequenta. Todos meses de Julho, a comunidade de Rio de Mouro antigo, reúne-se no adro para celebrar a sua padroeira com procissão música gastronomia e encontros inter geracionais, rituais que fazem ecoar pelo vale onde corre o rio do topónimo, a devoção começada há quase 500 anos.

    Júlio Cortez Fernandes

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