Câmara de Sintra perde terreno na transformação digital e falha liderança metropolitana

    Paços do Concelho, Sintra

    A Câmara Municipal de Sintra caiu no ranking da transformação digital, enquanto Oeiras, Cascais ou Amadora apostaram na inovação tecnológica como eixo estratégico de governação, Sintra manteve uma trajetória estável. Uma oportunidade perdida para diferenciar o concelho no século XXI, num contexto em que a marca Sintra reforçou a sua comunicação com uma presença online sólida, ancorada no seu património, beleza natural, reconhecimento cultural global e uma forte atratividade empresarial.

    Segundo o relatório IPIC (Índice de Presença na Internet das Câmaras Municipais) publicado em 2024, promovido pelo GÁVEA do Observatório da Sociedade da Informação da Universidade do Minho, a autarquia de Sintra ocupa o 15.º lugar a nível nacional, descendo progressivamente desde 2021, quando figurava na 13.ª posição. No mesmo período, câmaras como Oeiras (1.º lugar em 2023), Lisboa (3.º), Cascais (6.º) e Amadora (9.º) consolidaram-se entre as mais avançadas do país em matéria de presença digital, acessibilidade, interatividade e inovação nos serviços ao cidadão.

    Sintra apresenta duas ferramentas informáticas funcionais, o portal “Sintra Online” e a aplicação móvel “Sintra Resolve” que permitem o registo e acompanhamento de pedidos, simulações e atendimento digital. No entanto, não existem projetos de diferenciação tecnológica, como centros de operações urbanas, dashboards públicos de dados, chatbots, ou integração com plataformas inteligentes, que marcaram a evolução recente de Oeiras ou Cascais.

    Apesar de ter criado um departamento dedicado à transformação digital e ter lançado, em anos anteriores, as ferramentas já referidas como o portal “Sintra Online” e a app “Sintra Resolve”, a evolução ficou aquém das possibilidades e necessidades do concelho de acordo com os dados do relatório IPIC. A ausência de uma infraestrutura tecnológica robusta, como um data center municipal de última geração, a escassa integração entre sistemas internos e a dificuldade em dar resposta eficaz às solicitações digitais dos munícipes revelam um modelo de modernização reativo, e não verdadeiramente transformador.

    Entre 2021 e 2025, várias autarquias da região metropolitana deram passos decisivos na modernização digital: Oeiras investiu num novo data center e rede própria de fibra ótica; Cascais criou um centro de operações urbano em tempo real. Em contraste, Sintra manteve-se num registo funcional, mas pouco ambicioso.

    Nos rankings nacionais de digitalização municipal, Sintra aparece consistentemente abaixo de outras autarquias vizinhas. No Portal da Queixa, o índice de satisfação com os serviços digitais da Câmara não ultrapassa os 16 em 100 pontos. Sem uma aposta clara na inteligência urbana, na interoperabilidade de sistemas e na análise de dados em tempo real, Sintra arrisca-se a continuar a gerir o presente com ferramentas do passado.

    O IPIC 2023 avaliou as soluções digitais de todas as 308 câmaras municipais portuguesas com base em dimensões como serviços online, acessibilidade, navegabilidade e interatividade. O relatório completo está disponível aqui.