A Câmara de Sintra vai ceder parte da Casa da Mata da Azóia, freguesia de Colares, para sede da Rede de Arrojamentos de Lisboa e Vale do Tejo, que estuda animais marinhos que dão à costa.
“Os arrojamentos de mamíferos e répteis marinhos têm sido um fenómeno cada vez mais recorrente na costa sintrense” e desde 2022 que o município de Sintra colabora com a Rede de Arrojamentos de Lisboa e Vale do Tejo (RALVT), mobilizando “atores envolvidos na conservação marinha”, que inclui a remoção de animais do areal, espaço para recolha de “biometrias, amostras biológicas e, sempre que possível, a realização de necropsias”, refere-se numa nota da autarquia.
O executivo camarário aprovou, por unanimidade, submeter à assembleia municipal a cedência gratuita da Casa da Mata da Azóia, no cruzamento da EN247 com a Estrada da Peninha, para sede da RALVT, projeto científico desenvolvido pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, do Ispa – Instituto Universitário.
De acordo com a minuta do protocolo, a firmar entre o município e o Ispa, a que a Lusa teve acesso, a autarquia compromete-se a ceder parte da Casa da Mata da Azóia, e “à recolha de mamíferos e répteis marinhos arrojados” no litoral sintrense e “transporte para zona apropriada ao seu encaminhamento”.
Segundo a RALVT, em 2024, no litoral de Sintra, registaram-se 12 arrojamentos, nomeadamente de sete exemplares de golfinho-comum, um bôto, dois de tartaruga-comum e um de tartaruga-de-couro, estimando-se que 10% por doença e 50% por pesca acidental.
Para o presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta (PS), citado na nota da autarquia, a “defesa do ambiente e dos oceanos é uma prioridade do executivo”, sendo “fundamental realizar a monitorização da ocorrência de arrojamentos de animais marinhos” e “prestar apoio em situações que comprometam o bem-estar destes animais”.
A autarquia submeteu a financiamento do Portugal 2030 a recuperação da Casa da Mata da Azóia, incluindo o restauro ecológico envolvente de 12 hectares, num investimento elegível de 218.612 euros, com 87 mil do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder).


