Milhares de Homens e Mulheres vivem nos Concelhos da área Metropolitana de Lisboa, na maioria em aglomerados urbanos mal planeados, longe de uma qualidade de vida que começa nos seus parcos salários e se estende na dificuldade de acesso aos serviços públicos. É uma vida dura e de grandes sacrifícios bem visível nos rostos marcados por vidas de muito trabalho.
O Concelho de Sintra, com 400 mil habitantes, é parte desta realidade, feita de opções políticas que deixam sem médico de família mais de um terço da sua população (perto de 130 mil pessoas) e se desespera horas sem fim, em sofrimento e dor, pelo acesso a uma consulta nas urgências do Hospital Amadora-Sintra porque PS, PSD e CDS nunca permitiram a construção de um Hospital Público para a dimensão de Sintra.
Neste concelho, com mais população jovem do País, nas escolas faltam funcionários de ação educativa e faltam vagas nas creches.
No acesso aos serviços públicos, vemos gente à espera por uma senha na Loja do Cidadão do Cacém, ao vento e à chuva, em longas noites de inverno, a pensar no dia de salário que estão a perder e que tanta falta faz.
São trabalhadores, que nas deslocações para o trabalho, nas horas perdidas com as supressões de comboios, por atrasos ou pela redução de horários, vêm mais uma fatia do salário a desaparecer ao final do mês.
Em surdina, deslocam-se às centenas de milhar diariamente, para Lisboa, para trabalhar. São os indispensáveis. São os trabalhadores que não aceitam que lhes chamem colaboradores.
Os que garantem o funcionamento das actividades económicas da cidade: operários vários, estafetas, professores, enfermeiros, auxiliares de todo o tipo e especialização, varredores, entre muitos, homens e mulheres de várias idades e nacionalidades, que muitos deles nunca tiveram hipótese de serem crianças.
Na sua ausência do subúrbio, as suas cidades são tomadas por quem nelas fica: os seus filhos e os seus pais idosos. Aguardam nas ruas, nos parques, porque não existem muitos outros locais, à espera que o subúrbio se volte a encher de vida. A vida de quem trabalha e de quem tudo faz para lhes garantir uma vida digna.
Chegam ao final do dia, num vai-e-vem de transportes desde as 18h até altas horas da noite, 7 dias por semana, e em vez de descansarem sofrem as angústias do preço elevado das casas, o custo das rendas, o aumento do cabaz alimentar: a desigualdade para quem trabalha.
São as opções políticas erradas que destroem as vidas de muitos que vivem em Sintra.
São essas políticas de destruição do Estado e das suas funções sociais, que condicionam e agravam a vida de centenas de milhares de pessoas. São essas políticas que temos que destruir em Sintra e no resto do País. E já a começar em 2025.
Pedro Ventura
Vereador da CDU na Câmara Municipal de Sintra



