Petição em defesa do Parque das Gerações em Cascais discutida na Assembleia da República

    A petição “em defesa do Parque das Gerações, contra a alteração 308 do PDM de Cascais” foi hoje discutida na Assembleia da República, onde os signatários criticaram a falta de clareza e investimento da Câmara de Cascais sobre o espaço. 

    O documento, que juntou 8.638 assinaturas, foi apresentado hoje na Comissão parlamentar de Administração Pública, Ordenamento do Território e Poder Local pelos peticionários, entre eles o primeiro signatário, Pedro Manuel Coriel, para propor a classificação do Parque das Gerações, em São João do Estoril, como equipamento de interesse público e sensibilizar o Governo para não retificar o Plano Diretor Municipal (PDM) de Cascais, no distrito de Lisboa. 

    Em causa está a alteração 308 ao PDM, que pretende encerrar a passagem de nível de São João do Estoril e ligar a Estrada Nacional 6 (Marginal) à Rua Egas Moniz, no Bairro da Quinta da Carreira — ligação esta que atravessaria o Parque das Gerações, conhecido como um dos maiores espaços para praticar ‘skate’ no país.

    Questionado pela agência Lusa, o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), recusou-se a comentar “mentiras”, considerando que “o tempo já veio demonstrar a realidade e não a ficção que esses mentirosos, demagogos, populistas e iliberais tentaram criar com alarme social e enganando muitos cidadãos, em especial jovens”.

    Para Pedro Coriel, aquela alteração será “a pena de morte” do espaço, que nasceu em 2013 depois de ter sido proposto num orçamento participativo de 2011 e já recebeu vários campeonatos internacionais de ‘skate’.

    “Este parque, fruto da sua localização e acessibilidade, com quase 10 mil metros quadrados, perto de comboios, autocarros e escolas, mudou o paradigma do ‘skate’, que antes era visto como uma modalidade ‘marginal’, masculina e de adolescentes. O parque abriu o leque, o ‘skate’ deixou de ser um desporto masculino e juvenil para termos raparigas, pessoas de várias gerações, todas as cores e géneros que se encontram ali”, explicou o peticionário.

    Apesar de inicialmente ter sido pensado fazer a ligação a partir de uma estrada, em fevereiro a Câmara já tinha negado a ideia e garantiu que seria construído um túnel por baixo do Parque das Gerações, garantindo a sua preservação e até prometendo melhorias do espaço.

    Na altura, e de acordo com o Expresso, o vice-presidente de Cascais, Miguel Pinto Luz, afirmou numa sessão de esclarecimento que “o Parque das Gerações não vai fechar um único dia”. “Que fique claro para todos. Nem um único dia”, reiterou.

    Os munícipes continuam com dúvidas relativamente ao que vai acontecer com o parque, alegando falta de transparência da Câmara.

    “Nós fomos às decisões do PDM, dizem-nos sempre que não vai acontecer nada, mas não temos nenhum projeto, portanto não há garantias. Continuamos sem a transparência que, a nosso ver, não seria complicado de dar”, explicou o grupo representante da petição. 

    Há também quem se queixe das poucas condições de segurança do parque, cada vez mais degradado e que nunca sofreu uma requalificação, apesar das promessas municipais.

    “As rampas não estão funcionais, o parque está todo a cair e os miúdos caem”, conta Maria Roque, professora de ‘skate’ no parque, que também esteve presente na audição de hoje.

    “Se não há um mínimo de vontade sequer de pôr os equipamentos em condições, como é que há vontade de o manter? Se ele [o Parque das Gerações] vai ficar lá, então cuidem dele, mostrem que têm algum interesse naquilo”.

    Os deputados presentes na comissão, apesar de apoiarem a causa, admitiram que esta é uma questão de poder local e questionaram a legitimidade da Assembleia da República em se pronunciar sobre o assunto, defendendo que cabe à Câmara de Cascais a decisão.