Morreu o fadista Carlos do Carmo

O fadista Carlos do Carmo morreu hoje de manhã aos 81 anos no hospital de Santa Maria. As cerimónias fúnebres realizam-se na segunda-feira, na Basílica da Estrela, em Lisboa.

Morreu Carlos do Carmo

O fadista Carlos do Carmo morreu hoje de manhã aos 81 anos no hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse o filho à Lusa. A notícia foi avançada à agência Lusa pelo filho Alfredo do Carmo.

O velório tem início às 09h00 de segunda-feira, na Basílica, sendo rezada missa de corpo presente pelas 14h00. Segue-se o funeral para um cemitério da capital portuguesa ainda a designar, segundo a família do cantor.

As cerimónias coincidem com o dia de luto nacional, pela morte de Carlos do Carmo, decretado pelo Governo, para segunda-feira.

O Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa reagiu com um sentimento “de perda” à notícia da morte do fadista Carlos do Carmo, que recordou como “uma grande figura da cultura” e também como “um grande homem”.

O primeiro-ministro, António Costa, evocou com saudade Carlos do Carmo, que morreu hoje, recordando-o como “notável fadista” e “um grande amigo”.

O Governo decretou hoje um dia de luto nacional para segunda-feira, pela morte do fadista Carlos do Carmo.

Nascido em Lisboa, em 21 de dezembro de 1939, Carlos do Carmo era filho da fadista Lucília do Carmo (1919-1998) e do livreiro Alfredo Almeida, proprietários da casa de fados O Faia, onde começou a cantar, até iniciar a carreira artística em 1964.

Vencedor do Grammy Latino de Carreira, que recebeu em 2014, o seu percurso passou pelos principais palcos mundiais, do Olympia, em Paris, à Ópera de Frankfurt, do ‘Canecão’, no Rio de Janeiro, ao Royal Albert Hall, em Londres.

A Enciclopédia da Música Portuguesa no Século XX aponta Carlos do Carmo como “um dos maiores referenciais” no fado.

“As transformações que Carlos do Carmo operou [no fado] foram influenciadas pelos seus gostos musicais que incluíram referências externas” como a Bossa Nova, do Brasil, e os estilos próprios de cantores como Frank Sinatra (1915-1998), Jacques Brel (1929-1978) e Elis Regina (1945-1982), segundo a enciclopédia da música portuguesa.

A enciclopédia destaca que, desde a década de 1970, “acentuou as inovações musicais”, tornando-o “no representante máximo do chamado ‘fado novo'”, com trabalhos como o álbum “Um Homem na Cidade” (1977).

Foi um dos principais e mais determinantes embaixadores da Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, e desempenhou um “papel fundamental na divulgação dos maiores poetas portugueses”, como destacou o júri do Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural.

O fadista celebrizou canções como “Bairro Alto”, “Fado Penélope”, “Os Putos”, “Um Homem na Cidade”, “Uma Flor de Verde Pinho”, “Canoas do Tejo”, “Lisboa, Menina e Moça”.

Carlos do Carmo despediu-se dos palcos a 9 de novembro de 2019, com um concerto no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, tendo recebido na altura a Medalha de Mérito Cultural, do Ministério da Cultura, pelo seu “inestimável contributo” para a música portuguesa.

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Sintra Notícias com Lusa

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