‘Sem-abrigo’ que salvou bebé do lixo, nasceu em Mem Martins

"O nosso herói", disse Marcelo Rebelo de Sousa, assim que chegou à fala com o sem-abrigo de 44 anos, natural de Mem Martins, no concelho de Sintra e que "vive" na rua, em Lisboa.

"O nosso herói", disse Marcelo Rebelo de Sousa, assim que chegou à fala com o sem-abrigo de 44 anos, natural de Mem Martins, no concelho de Sintra | Foto: Pedro Ferreira / Correio da Manhã

O Presidente da República, conheceu esta quinta-feira o Manuel Xavier, o sem-abrigo que salvou o bebé num caixote do lixo em Lisboa.

“O nosso herói”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, assim que chegou à fala com o sem-abrigo de 44 anos, natural de Mem Martins, no concelho de Sintra e que mora na rua, em Lisboa à cerca de quatro meses.

“Pensei que era um gato, era um barulho estranho!?…”, disse o homem que vive na rua, acrescentando que abriu todos os contentores do lixo antes de encontrar o bebé.

“Estava mesmo em cima. Estava muito frio e estava sujo, com o cordão umbilical”, explica. “Eu gritei: ‘Ai Jesus'”, afirmou Manuel mostrando a Marcelo o local onde o menino foi deixado à sua sorte.

“Senti raiva de mim próprio. Como é que foram capazes de deixar uma criança assim? Sr. Presidente, quero agradecer às autoridades, tanto PSP, Judiciária… foram impecáveis”, disse o sem abrigo, de nome Manuel Xavier.

Marcelo Rebelo de Sousa, quis saber também da vida pessoal de “o nosso herói” que nasceu na freguesia de Algueirão Mem Martins, no concelho de Sintra.

Manuel Xavier tem 44 anos, vive na rua há quatro meses porque deixou de trabalhar na construção civil, devido a um problema grave na coluna. Tem um filho e a mãe está hospitalizada em Coimbra.

Quando questionado sobre o que se pode dizer a Manuel Xavier depois de ter salvo o bebé, o Presidente da República responde: “Agradecer, agradecer. Porque é um exemplo de humanidade. É muito mais que dizer que cumpriu a sua obrigação. É humanidade. Com uma vida que é tudo menos fácil. Quero agradecer-lhe porque não tem preço, foi do coração mas mesmo que quisesse agradecer-lhe não há como. É tão único, tão diferente, tão do fundo do coração”, disse Marcelo a Manuel.

“É haver aqui duas realidades sociais que se somam. A realidade da criança deixada provavelmente pela mãe, sabe-se lá quem, e ao mesmo tempo a realidade de quem vive na rua. É uma realidade que muita gente esquece, [as realidades] cruzaram-se para salvar uma vida”, chamou a atenção Marcelo.

Conta o jornal Correio da Manhã (CM), que antes de entrar para o carro Marcelo sussurrou ao ouvido de Manuel: “É um herói. Descreto. Anónimo. Mas é”.