Bombeiros do Concelho de Sintra contestam nova lei orgância da Proteção Civil

    A decisão foi anunciada pelo comandante dos Bombeiros de Algueirão-Mem Martins, Joaquim Leonardo, referindo o não envolvimento dos bombeiros do concelho de Sintra no DECIR 2019

    Quartel dos Bombeiros Voluntários de Sintra | Foto: Sintra Notícias

    As nove Associações Humanitárias de Bombeiros Voluntários do Concelho de Sintra, anunciaram esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que vão recusar integrar em 2019 o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), em protesto contra a nova lei orgânica da Proteção Civil.

    A decisão foi anunciada pelo comandante dos Bombeiros de Algueirão-Mem Martins, Joaquim Leonardo, referindo que o não envolvimento dos bombeiros do concelho de Sintra no DECIR 2019 representa uma redução em cerca de 20% dos meios do dispositivo no distrito de Lisboa, num total de 15 equipas.

    Em causa está, a discordância com algumas medidas previstas na nova lei orgânica da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), aprovada em Conselho de Ministros a 25 de outubro e que se encontra atualmente em consulta junto da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Associação Nacional de Municípios Portugueses.

    “Nós somos a única força do país que não tem um comando único e de depende diretamente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, que não é um corpo de bombeiros e com a qual nós não nos identificamos”, criticou o Comandante, Joaquim Leonardo Foto: Sintra Notícias – arquivo

    Joaquim Leonardo, comandante de Algueirão-Mem Martins referiu que uma das medidas contempladas neste diploma, e que é contestada pelos bombeiros, é a criação de cinco comandos regionais e 23 sub-regionais, em vez dos atuais 18 comandos distritais de operações e socorro, como já tinha sido anunciado pelos corpos de Bombeiros na sequência de um plenário.

    “Isto vai mexer com a atual organização que os bombeiros têm, que é uma organização que já está implementada e funciona. Estamos rotinados e, portanto, não faz sentido que o Governo mude tudo face ao que aconteceu em 2017 e não ouça sequer o principal agente da proteção civil, que é responsável por 90% das ações em proteção e socorro do país”, observou.

    Joaquim Leonardo disse ainda que os bombeiros do concelho de Sintra defendem, à semelhança da Liga dos Bombeiros Portugueses, que passe a existir um comando único e deixem de estar dependentes da ANPC. “Nós somos a única força do país que não tem um comando único e de depende diretamente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, que não é um corpo de bombeiros e com a qual nós não nos identificamos”, criticou.

    Apesar do descontentamento, Joaquim Leonardo manifestou-se confiante de que o Governo ainda possa abrir um espaço de diálogo com os bombeiros: “Penso que o Governo terá, com certeza, o bom senso de negociar com os bombeiros e ouvir aquilo que os bombeiros têm a dizer”, sublinhou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Algueirão-Mem Martins em representação das nove Associações de Bombeiros do Concelho de Sintra.

    Conferência da Imprensa de todas as corporações de Bombeiros do Concelho de Sintra, esta quarta-feira, no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Sintra

    (…) “Não faz sentido que o Governo mude tudo face ao que aconteceu em 2017 e não ouça sequer o principal agente da proteção civil, que é responsável por 90% das ações em proteção e socorro do país” (…) — Joaquim Leonardo