Hugo Frederico | Democratizar a mobilidade, assumir os riscos da mudança

    Vivemos hoje um momento histórico num dos principais municípios da área metropolitana de Lisboa e de Portugal. A melhoria da mobilidade, a rede viária urbana, a rede de transportes coletivos, o passe único e a potenciação dos interfaces fazem parte de uma estratégia que vai revolucionar e democratizar o direito à mobilidade dos cerca de 400 mil munícipes do nosso concelho.

    Sintra tem, finalmente, uma estratégia neste setor fundamental para o nosso futuro coletivo. E um dos elementos estruturante dessa estratégia não foi fruto do acaso, começou a ser pensada e construída há vários anos.

    Lembro-me quando o atual presidente da Câmara Municipal de Sintra, na altura candidato, defendeu em agosto de 2013 essa visão. Basílio Horta e António Costa, ainda na pré campanha das autárquicas, eram claros no caminho que queriam seguir.

    Numa viagem de comboio entre a estação de Sintra e de Lisboa, defendiam que deveriam ser as autarquias a assumir um papel decisivo no sistema de transporte público da Área Metropolitana de Lisboa. Foram claros quando afirmaram que o governo de então olhava para os transportes como um negócio. Comprometeram-se a mudar a situação para ser possível criar uma verdadeira área metropolitana onde a mobilidade fosse um direito e não um privilégio.

    Basílio Horta ganhou essas eleições em 2013 e, no ano seguinte, António Costa chegou a primeiro-ministro.

    Provavelmente poucos acreditaram, na altura, que algo de verdadeiramente diferente podia ser feito neste setor.

    O constante e permanente ruído ao qual somos sujeitos, todos dias, parecia tornar os caminhos da privatização, do negócio, do lucro e da visão neoliberal como as únicas opções possíveis.

    Mas a verdade é que se começou, nesse mês de agosto de 2013, a percorrer um caminho alternativo.

    O cidadão que vive numa verdadeira área metropolitana, que estuda, que trabalha, que constituiu família, não pode ser penalizado, do ponto de vista económico, por utilizar os transportes públicos. Não é sustentável, sob nenhuma perspetiva, o futuro de nenhuma área metropolitana onde o transporte individual é a melhor alternativa económica.

    Quando Sintra, em 2015, assumiu a presidência da Área Metropolitana de Lisboa, foi iniciado o processo de mudança desta insustentável realidade.

    Foi longo e complexo o início do processo que levaria à criação do Passe Único mas, em 2017, ainda como presidente da AML, Basílio Horta era claro numa cerimónia onde se dirigiu ao primeiro-ministro António Costa: “Temos, definitivamente, de avançar para o passe intermodal em toda a AML. Considero que este passe é um elemento estruturante de uma política de transportes coerente nesta área metropolitana”.

    Já ponderou o que significa utilizar o comboio, o autocarro, o barco em toda a área metropolitana apenas com o Passe Único que custa 40 euros por mês?

    Já imaginou o que será uma família nunca pagar mais de 80 euros por mês para utilizar todos os transportes públicos na área metropolitana de Lisboa?

    Dois políticos, numa viagem de comboio entre Sintra e Lisboa, perceberam o fundamental e construíram soluções para defender e aplicar esses princípios.

    Basílio Horta e António Costa podiam não ter feito nada, provavelmente ninguém se lembraria, em 2018, de lhe perguntar dos compromissos assumidos em 2013. Mas não! Optaram por correr riscos, construir alternativas, debater soluções e devolver a todos os que vivem, estudam e trabalham na área metropolitana de Lisboa o direito à mobilidade.

     

    Hugo Frederico, membro eleito pelo PS do executivo da Junta de Freguesia de Queluz/Belas