Sara Nunes | Por que razão a Dinamarca é o país mais feliz do mundo?

"Eu chamo-me Sara, tenho 20 anos sou de Sintra e estudo e trabalho na Dinamarca. Já passaram nove meses desde que decidi vir para a Dinamarca e que a minha vida mudou totalmente." Leia o relato, na primeira pessoa, desta jovem de Sintra que decidiu explicar ao SINTRA NOTÍCIAS por que razão é a Dinamarca o país mais feliz do mundo.

“Diz-se que a Dinamarca é o país mais feliz do mundo. Será verdade? Eu vou contar-vos a minha experiência.

Eu chamo-me Sara, tenho 20 anos, sou de Sintra, trabalho e estudo engenharia informática na Dinamarca. Sinceramente, nunca pensei em ir estudar para o estrangeiro mas a ideia surgiu após ter visitado uma agência que oferece experiências internacionais, e na altura estava interessada em fazer um gap year. No entanto, acabei intrigada pois saí de lá a saber que era possível estudar na universidade de graça em alguns países da União Europeia, como a Dinamarca, Noruega, Escócia e decidi que queria continuar os meus estudos num desses países. Depois de muita pesquisa, a escolha recaiu sobre a Dinamarca, não só porque o ensino é gratuito, mas também porque tem o método de ensino mais prático.

Então, em março de 2016, candidatei-me para a Via University College. Candidatar-se é muito fácil e apenas é preciso um bom nível de inglês e ensino secundário completo com boas notas, friso também que não são precisos exames nacionais. Em agosto, recebi a resposta que fui aceite no curso que eu queria, engenharia informática. Então mudei-me para Århus, a segunda maior cidade da Dinamarca.

A universidade é completamente gratuita, desde livros a todo o software que possam imaginar. Apesar de não ter estas despesas, há que ter em conta que tem de se pagar renda e comida. Para me deslocar ando de bicicleta, no entanto o custo de vida ainda assim é mais elevado do que em Portugal e foi devido a isso que comecei a procurar trabalho.

Tive imensos trabalhos, em armazéns, limpezas, restaurantes, babysitter, etc… O que já era bom como part-time. Mas um dia, a sorte bateu-me à porta quando encontrei uma brochura na minha universidade que dizia “Portuguese students required”. Isto foi muito inesperado pois nunca pensei que fosse usar a minha língua materna para trabalhar na Dinamarca.

Agora, trabalho como Country Marketing Manager, uma empresa que vende acessórios e jóias para homens. Sou responsável por todo o mercado português e os meus colegas e chefes foram sempre muito prestáveis e ajudaram-me imenso. Há um ambiente muito descontraído na empresa, todos são muito acessíveis e não há nenhuma discriminação.

E isto não acontece só na minha mas em todas as empresas. É a mentalidade dos dinamarqueses. Em full-time, trabalham uma média de 30 horas por semana das 8h00 às 16h00, com um equilíbrio entre vida e trabalho, e o trabalho fora dos horários estabelecidos não é considerado. Daí o termo hygge (lifestyle dinamarquês) e ser o país mais feliz do mundo.

Como se não bastasse, o trabalho é muito flexível e tenho total liberdade na escolha das horas de trabalho desde que complete 44 horas por mês, o que não é quase nada. Os trabalhos aqui são muito bem remunerados, na ordem dos 15 euros por hora. Além do meu salário, recebo a bolsa do Estado para estudantes trabalhadores, no valor de cerca de 800 euros. E pago apenas 8% de juros por ser estudante.

Estudar no estrangeiro não é fácil no início, principalmente quando temos de deixar tudo para trás, mas estou muito feliz por poder ser independente financeiramente com apenas 20 anos, o que seria impossível se tivesse ficado em Portugal”.

 

Sara Nunes,
Jovem emigrante de Sintra, que decidiu explicar ao SINTRA NOTÍCIAS, por que razão é a Dinamarca o país mais feliz do mundo.

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